
A retomada da construção da nova ponte do Guaíba vai atrasar. Em abril, o ministro dos Transportes, George Santoro, havia prometido que os serviços recomeçariam em julho.
As empresas que realizarão os trabalhos foram escolhidas há quase dois meses. No entanto, o contrato ainda não foi assinado.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), questões administrativas estão sendo finalizadas. No entanto, o principal entrave para o início dos trabalhos nas quatro alças restantes é a falta de dinheiro.
Até o momento, estão garantidos apenas R$ 4,49 milhões para a obra. Esse montante não é suficiente nem para iniciar as primeiras intervenções.
Ele corresponde a menos de 1% do que o contrato precisa. A construção necessita de R$ 524,93 milhões para ser finalizada. Dessa forma, enquanto o governo federal não liberar mais recursos, o contrato não deverá ser iniciada.
As empresas Cidade e Arteleste são as responsáveis pelo serviço, que tem previsão de duração de três anos. A construção das quatro alças restantes será executada logo após a ordem de início, com estimativa de conclusão em seis meses.
Histórico
A obra foi iniciada em 2014. Contratualmente, havia previsão de que fosse concluída em 2017. Ela foi inaugurada parcialmente em 2020. Até agora, foram investidos R$ 769 milhões na construção.
Em 2021, o governo federal incluiu a obra em um estudo de nova concessão. Somente em julho de 2024, o Dnit voltou a assumir o término da construção.
A União ainda pretende repassar a nova ponte, assim como a BR-290, para a iniciativa privada. Quando isso ocorrer, o Dnit seguirá responsável pelo término dos trabalhos, enquanto a concessionária vencedora assumirá a manutenção da estrutura.
Alças restantes
A alça de quem sai da Avenida Castello Branco para Eldorado do Sul é a principal (veja o mapa abaixo). O contrato prevê também o acesso de quem vem de Gravataí pela freeway e vai para o Humaitá, a alça de quem vem de Eldorado do Sul e vai para o mesmo destino, e a alça de quem sai do bairro e vai para Eldorado do Sul.
Outras obras
Além da construção das quatro alças, o novo contrato irá prever mais duas novas intervenções. A primeira delas é um acesso de entrada e saída na região da Ilha Grande dos Marinheiros. A enchente de 2024 evidenciou a dificuldade dos moradores para deixar a localidade, justamente pela falta de ligação com a travessia.
O Dnit também planeja a construção de defesas em torno dos pilares da estrutura dentro do Rio Jacuí. Essas estruturas servem para proteger a travessia da colisão de embarcações.
Promessas não cumpridas
Em março de 2024, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chegou a dizer que a construção da nova ponte do Guaíba seria retomada até junho. Ele prometeu que a obra ficaria totalmente finalizada 12 meses depois.
Antes disso, em 2020, o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, garantiu que as quatro alças restantes seriam finalizadas em 2021. A promessa foi feita quando a travessia foi inaugurada parcialmente.
Já em 2018, o então ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, prometeu que a nova ponte do Guaíba já seria usada no final daquele ano. A obra só foi parcialmente liberada dois anos depois.





