
Após anunciar a revogação da segunda licitação para concessão do Cais Mauá, o governo do Estado caminha para um novo revés. A avaliação foi feita por integrantes de duas entidades que defendem a ocupação da área portuária.
Representantes da Associação Amigos do Cais Mauá (AMACAIS) e do Coletivo Cais Cultural Já acreditam que o que foi feito até agora deve ser desconsiderado pelo governo do Estado. As entidades defendem a necessidade de realizar novos estudos que projetem uma ocupação adequada e viável para os armazéns entre a Usina do Gasômetro e a Estação Rodoviária de Porto Alegre. Se isso não for feito, haverá nova decepção na definição sobre o cais.
— Essa nova licitação vai falhar de novo. As necessidades da população não estão sendo ouvidas. Tem sistema para fazer isso — projeta a engenheira civil Adriana Schönhofen, que em 2010 identificou falhas grosseiras do primeiro edital.
Segundo ela, os modelos de parceria propostos até agora não estão buscando as melhores condições de um projeto complexo. Adriana aponta que entidades internacionais fazem doações de recursos para a recuperação de estruturas urbanas, como o Cais, que podem ser solicitados.
Para a advogada Jacqueline Custódio, a nova proposta precisa pensar a ocupação cultural para cada um dos armazéns. Ela cita um projeto da UFRGS que propôs transformar o Cais em espaço cultural democrático e universal, além de gastronômico.
Em vez disso, o que se identifica é apenas a preocupação com a exploração econômica do Cais. O grupo tenta dialogar com o governo do Estado, mas reclama que, desde 2024, não consegue agendar encontro com os representantes do governo gaúcho.
— Os estudos precisam buscar soluções mais caseiras. Faz um ano e sete meses que tento falar com eles (governo do Estado) e não consigo — reclama Jacqueline.
Para a jornalista Katia Suman, os projetos realizados até agora não ouviram o que os porto-alegrenses pensam para aquela área.
— A sociedade civil foi excluída do projeto (de concessão do Cais). Os governos não querem nos ouvir. Os principais armazéns estão se deteriorando — revela a comunicadora.
O grupo defende a construção de uma proteção aos armazéns conta as cheias do Guaíba. Até mesmo a derrubada do muro da Mauá não é vista como impeditivo, desde que a solução encontrada seja efetiva, segundo o arquiteto Cristiano Kunze.
— A brincadeira já foi longe demais. Hoje, o Cais é um lugar cercado que não serve para nada — avalia Kunze.
Ele acredita que, com R$ 100 milhões, seria possível realizar a revitalização necessária. Mesmo que se começasse agora um novo processo de ocupação do Cais, seriam necessários um ano para estudos e outros dois para a realização de obras.
O secretário estadual da Reconstrução, Pedro Capeluppi, ressalta que já se reuniu com os representantes destas entidades. E garante que irá ouvi-los novamente.
— Quando nós começarmos a estruturar de novo (o projeto), eu vou falar com eles. Com eles e com outras entidades — promete Capeluppi.
A revogação do segundo leilão foi oficializada na semana passada. Agora, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) montar um novo edital, que será diferente do anterior.






