
A investigação do Ministério Público, que apura o controle de emissões sonoras no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, tem afastado a realização de shows no local. A afirmação foi feita pela diretora da GAM3 Parks, Carla Deboni, em inquérito civil que apura danos ambientais ao parque por causa do excesso de barulho.
Em 16 de abril, a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente pediu cópia de relatório técnico referente aos últimos eventos. Também pediu segunda via de laudos de medição de níveis de pressão sonora devidos à Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Solicitada a comprovar o recebimento da notificação, Carla respondeu à secretaria da promotoria que o parque não recebe mais eventos. A falta de interessados, inclusive, tem comprometido a sustentabilidade da concessão, segundo ela.
— Vamos responder, mas, como já informado à prefeitura, foram tantas exigências, laudos, etc., que perdemos todos os eventos aqui no parque. Os mesmos estão sendo feitos em outros lugares que não exigem nada. Estacionamentos, Jockey e por aí vai. A GAM3 está com sérios problemas de sustentabilidade do negócio. Não temos laudo para fornecer se não há mais eventos grandes no parque — revelou Carla.
Na própria ação do Ministério Público, moradores do entorno do parque costumam reclamar de barulho excessivo em shows. E a concessionária costuma apontar que estes eventos não ocorrem no seu espaço. Após anos, o Jockey Club, em Porto Alegre, voltou a receber shows, como o da banda Guns N' Roses e um evento de drones iluminados, além de música clássica ao vivo.
Show de pagode
Em agosto de 2023, o barulho excessivo durante um show de pagode motivou a ação do Ministério Público. A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente orientou que a administradora do parque apresentasse um plano de mitigação e monitoramento de ruídos.
Um mês depois, o parque ganhou um plano de controle de ruídos. A GAM3 PARKS contratou uma empresa que começou a monitorar os sons durante os shows. Em caso de descumprimento das regras, os eventos com emissão de som seriam suspensos.
Sem novas atrações
No ano passado, a diretora já havia frustrado as expectativas ao revelar que a roda-gigante prevista para o parque, investimento não obrigatório, anunciado pela concessionária, dificilmente sairá do papel.
— Se vocês soubessem a dificuldade que foi comercializar os poucos metros quadrados. Não foi fácil. A gente não pode edificar sem saber quem vai administrar — disse Carla, na ocasião, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Outras atrações previstas para o parque, como as vilas temáticas alemã e italiana, assim como o Parque Terra dos Dinossauros, enfrentam a mesma dificuldade. Até a realização do Rodeio de Porto Alegre, não tem ocorrido porque a prefeitura não tem solicitado o espaço.
Obras prontas
As obras obrigatórias, previstas no contrato entre a prefeitura de Porto Alegre e a empresa GAM 3 Parks, foram concluídas no fim de 2024. As intervenções no local começaram em dezembro de 2022. A concessão do parque vale até 2056.






