
Na tarde desta quarta-feira (1), as empresas Cidade, de Porto Alegre, e Arteleste, do Paraná, apresentaram uma proposta conjunta para concluir a obra da nova ponte do Guaíba. O consórcio ofereceu executar a obra ao custo de R$ 524,93 milhões.
O valor é aproximadamente R$ 30 milhões inferior ao que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) se propunha a pagar - R$ 554,84 milhões. Para ser considerado definitivamente o vencedor da disputa, o grupo ainda precisa ter a documentação técnica validada.
O consórcio concorreu contra a empresa mineira Companhia de Infraestrutura Brasileira (CIB), que foi desclassificada na primeira fase da disputa, pois ofertou um valor de execução da obra superior ao que o Dnit garantia pagar - R$ 562,7 milhões.
Se não houver contestação administrativa ou jurídica do resultado da escolha, os trabalhos poderão ser retomados no início do segundo semestre. Os serviços deverão durar até julho de 2029.
Mas as obras das últimas quatro alças serão executadas imediatamente após a ordem de início. Elas deverão ser concluídas até dezembro do ano que vem.
Enquanto isso, 394 casas que estão posicionadas no local das novas alças já foram demolidas na região das vilas Areia, Coobal, Voluntários e Tio Zeca. Faltam ainda outras 191 residências.
O Dnit irá avaliar se conseguirá dar autorização para o início das obras, mesmo que ainda reste essa quantidade de moradias a serem demolidas.
Com relação à atual estrutura, a empresa vencedora fará uma avaliação das peças. Aquelas que precisam ser recuperadas passarão por intervenção.
Histórico
A obra foi iniciada em 2014. Contratualmente, havia previsão de que fosse concluída em 2017. Ela foi inaugurada parcialmente em 2020. Até agora, foram investidos R$ 769 milhões na construção.
Em 2021, o governo federal incluiu a obra em um estudo de nova concessão. Somente em julho de 2024, o Dnit voltou a assumir o término da construção.
A União ainda pretende repassar a nova ponte, assim como a BR-290, para a iniciativa privada. Quando isso ocorrer, o Dnit seguirá responsável pelo término da obra e a empresa vencedora da concessão fará a conservação da estrutura.
Alças restantes
A alça de quem sai da Avenida Castello Branco para Eldorado do Sul é a principal (veja o mapa abaixo). Mas também precisam ser construídos o acesso de quem vem de Gravataí pela freeway e vai para o Humaitá, a alça de quem vem de Eldorado do Sul e vai para o mesmo destino, e o sentido contrário, de quem sai do bairro e vai para Eldorado do Sul.
Outras obras
Além da construção das quatro alças, o novo contrato irá prever mais duas novas intervenções. A primeira delas é um acesso de entrada e saída da nova ponte na região da Ilha Grande dos Marinheiros. A enchente mostrou que os moradores tiveram dificuldade para deixar a localidade, principalmente porque não havia ligação com a travessia.
O Dnit pretende também que sejam construídas proteções em volta dos pilares da nova ponte dentro do Rio Jacuí. Essas estruturas servem para proteger a travessia da colisão de embarcações.
Promessas não cumpridas
Em março de 2024, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chegou a dizer que a construção da nova ponte do Guaíba seria retomada até junho. Ele prometeu que a obra ficaria totalmente finalizada 12 meses depois.
Antes disso, em 2020, o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, garantiu que as quatro alças restantes seriam finalizadas em 2021. A promessa foi feita quando a travessia foi inaugurada parcialmente.
Já em 2018, o então ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, prometeu que a nova ponte do Guaíba já seria usada no final daquele ano. A obra só foi parcialmente liberada dois anos depois.




