
A concessão do Cais Mauá, que parecia encaminhar-se para mais um revés, ganhou novos elementos. O consórcio Pulsa RS informou ao governo do Estado que está pronto para assinar o contrato.
A comunicação foi feita na segunda-feira (20). O grupo, inclusive, propõe que o vínculo seja assinado ainda no mês de maio.
Segundo o arquiteto Sérgio Stein, porta-voz do consórcio, todas as exigências previstas no edital estão prontas para serem cumpridas. O Pulsa RS precisa desembolsar em torno de R$ 11 milhões imediatamente após a assinatura do contrato.
Estes valores serão pagos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que foi responsável pelos estudos da concessão, e à B3 — a bolsa de valores brasileira. Outros R$ 5 milhões precisarão ser pagos em breve. A empresa de propósito específico também já foi constituída.
Em março, o grupo pediu adiamento da assinatura do contrato por 90 dias, ação prevista no edital. O motivo anunciado era a necessidade de "reanálise da viabilidade financeira e operacional do projeto, considerando fatos recentes que impactam o cenário do empreendimento, especialmente os desdobramentos relacionados à extensão do prazo contratual do Cais Embarcadero".
— Já conseguimos nos reorganizar. Estamos trabalhando para devolver esse espaço para o público. Queremos que o cais borbulhe de gente — projeta Stein.
O governo confirma que recebeu a documentação na segunda-feira e está avaliando. Caso não aceite, a licitação será cancelada, já que o grupo de empresas foi o único que participou do leilão.
Percalços
Três meses após a realização do leilão, a enchente mudou o cenário da concessão. O conjunto de investidores do consórcio desistiu da parceria.
Um novo investidor foi buscado e passou a ser o responsável financeiro. No entanto, com a prorrogação do contrato com o Embarcadero, no final do ano passado, o segundo parceiro também se retirou do projeto.
Stein garante que essa empresa já foi substituída. Entre os novos investidores estão um grupo internacional de mobilidade e uma empresa de energia renovável.
Outros parceiros seguem mantidos. A Opus Entretenimento será responsável pela parte de eventos do cais. A Aegea, que comprou a Corsan, é outra empresa que está associada ao Pulsa RS.
Embarcadero
Recentemente, o grupo por trás do projeto Embarcadero apresentou uma proposta para fazer parte da parceria com o Pulsa RS. Nela, o Embarcadero ficaria responsável pela parte gastronômica do novo projeto.
O consórcio vencedor do leilão informa que aceitou a sugestão apresentada. Procurado, o Embarcadero confirma que fez o contato, mas que está aguardando primeiro a decisão do governo sobre a prorrogação do contrato para avaliar as parcerias possíveis.
Muro
Para garantir a chegada de novos investidores, o Pulsa RS pretende antecipar a obra de proteção dos armazéns. Essa estrutura é fundamental para evitar alagamentos no cais com a elevação do Guaíba. A derrubada do muro da Mauá só poderá ocorrer depois que a nova estrutura for validada pelo governo do Estado.
30 anos
O contrato tem prazo de 30 anos, mas poderá ser ampliado. O grupo vencedor tem o compromisso de investir R$ 210 milhões para recuperar a região, com os valores podendo chegar a R$ 353 milhões com serviços de manutenção.
À medida que as obras forem entregues, o governo doará três terrenos da área das docas para o consórcio. Esses espaços poderão ser usados para empreendimentos residenciais ou corporativos e ficarão com investidores privados após as três décadas.
Os armazéns
O Cais Mauá conta com 12 armazéns e três docas. A circulação de pessoas será permitida no espaço, e a cobrança de ingresso para acesso a pé ao cais será proibida. A área tem extensão de três quilômetros.



