
Após queixas sobre o valor de futuros pedágios, o governo do Estado decidiu alterar o edital da concessão de seis rodovias. O leilão seria realizado em 13 de março.
Agora, a previsão é que a disputa possa ocorrer entre maio e junho, já que ajustes precisarão ser feitos. As mudanças seguiram recomendações do Tribunal de Contas do Estado, que foram entregues na segunda-feira (2).
O Palácio Piratini irá incorporar ao edital um novo risco de demanda. Isso significa que, se o movimento previsto for menor do que 10% do estimado, o poder público terá de subsidiar o valor da tarifa.
O mesmo vale se o tráfego for 10% maior, o que poderá resultar em diminuição no preço do pedágio. Alguns custos estimados também foram revistos, o que deixou o valor do investimento previsto bem enxuto.
Com as alterações, o valor do pedágio por quilômetro cairá R$ 0,01, para R$ 0,18. Segundo o governo, a economia será de R$ 2,19 a cada 100 quilômetros percorridos.
A intenção do Palácio Piratini é republicar o edital em março. Se os prazos forem cumpridos, a assinatura do contrato poderá ocorrer em outubro.
Segundo o governador Eduardo Leite, não foi a pressão de aliados, de empresários ou do cenário eleitoral de 2026 que motivavam as mudanças.
— Preferimos incorporar as mudanças para que o leilão prospere. Foi uma decisão técnica. Nem ouvimos a base do governo. Precisamos superar os gargalos logísticos do Estado. Talvez fosse mais confortável não levar as alterações adiante, mas não estou aqui pelo conforto ou caminho mais fácil —destacou Leite.
O bloco de seis rodovias impactará 32 cidades e abrange 409 quilômetros, entre elas:
- RS-128
- RS-129
- RS-130
- RS-135
- RS-324
- RS-453
O Palácio Piratini também destacou que essas alterações serão incorporadas no leilão de rodovias do bloco 1, que está previsto para ocorrer em 2026, e que envolve rodovias da Região Metropolitana e da Serra.
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investiga os contratos de pedágio no Rio Grande do Sul, deputado Miguel Rossetto (PT), comemorou a decisão do governo e atribuiu o resultado aos trabalhos da CPI.
— O pedágio proposto pelo governo Leite é muito caro, os investimentos nunca aparecem e o que aparece são as multas. O Tribunal de Contas do Estado trabalhou apontando várias irregularidades, inconsistências e, por isso, ele está suspenso — disse o parlamentar.



