
No próximo mês, o governo do Estado e o consórcio Pulsa RS deverão assinar o contrato de revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre. O grupo vencedor do leilão, realizado há dois anos, está providenciando a documentação necessária para assumir os armazéns, que deve ser apresentada até 11 de março.
Enquanto isso, encaminha as parcerias para definir o futuro do espaço. Segundo o arquiteto Sérgio Stein, porta-voz do consórcio, 80% dos parceiros do negócio já estão fechados. Os 20% restantes serão estrategicamente definidos posteriormente.
Uma das propostas recebidas partiu de um fundo árabe. O nome do grupo não foi informado, mas os investidores sugeriram trazer navios com turistas do Uruguai e da Argentina para desembarcar no Cais Mauá, aproveitando a rota de cruzeiros marítimos.
No entanto, a ideia não avançou, pois seria necessário que o calado do Cais Mauá fosse bem mais profundo do que é hoje, a fim de permitir grandes embarcações. Mesmo com as dragagens previstas pelo governo do Estado, o porto de Porto Alegre ainda estará longe de receber navios de cruzeiro, por exemplo.
Parceiros definidos
A Opus Entretenimento será responsável pela parte de eventos do cais. A Aegea, que comprou a Corsan, é uma outra parceira do grupo.
Uma faculdade está em negociação com o consórcio Pulsa RS. Uma grande empresa da serra gaúcha também já está em tratativas para fazer parte do projeto.
Muro
Após a assinatura do contrato, as mudanças no cais não serão imediatas. O grupo iniciará a fase de desenvolvimento e aprovação de projetos. Um deles envolve a derrubada do muro da Mauá, que só poderá ocorrer depois que a nova estrutura de proteção da cidade estiver construída.
A proteção planejada para o Cais prevê uma contenção fixa de 1,26m - um piso elevado, que permite caminhar sobre ele. A estrutura será construída entre o Guaíba e os armazéns. Quando for necessário, uma barreira móvel - de 1,74m - será instalada por cima, atingindo a marca de 3 metros - mesma altura do muro.
30 anos
O contrato tem prazo de 30 anos, mas poderá ser ampliado. O grupo vencedor tem o compromisso de investir R$ 210 milhões para recuperar a região, com os valores podendo chegar a R$ 353 milhões com serviços de manutenção.
À medida que as obras forem entregues, o governo doará três terrenos da área das docas para o consórcio. Esses espaços poderão ser usados para empreendimentos residenciais ou corporativos e ficarão com investidores privados após as três décadas.
Os armazéns
O Cais Mauá conta com 12 armazéns e três docas. A circulação de pessoas será permitida no espaço, e a cobrança de ingresso para acesso a pé ao cais será proibida. A área tem extensão de três quilômetros.


