
Três meses após ter neutralizado drones na região do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), o governo Leite confirma que usou o equipamento para garantir a segurança de um evento particular no local. As explicações foram dadas à 4ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre.
Segundo as justificativas, a descida da megarrampa de skate montada no local teve forte participação institucional do Estado e envolvia atividades de alto risco e complexidade, por causa de manobras a uma altura de aproximadamente 82 metros. Cita também que o drone estava sobrevoando a região com uma velocidade de 100 km/h, o que potencializou os riscos à integridade física de todos os envolvidos, incluindo trabalhadores, atletas e equipes de apoio.
"No decorrer da tarde de 7 de setembro de 2025, foram registradas duas neutralizações efetivas de drones. Tais neutralizações ocorreram justamente em momento de máxima sensibilidade: próximo ao horário em que o governador do estado do Rio Grande do Sul estava presente no topo do CAFF, junto às equipes da Polícia Penal", diz trecho do documento assinado pelo procurador do Estado, Julio Cesar Xavier.
Além disso, o governo justifica que a arma anti-drone da Polícia Penal não abate, mas interrompe o sinal, forçando um pouso controlado dos equipamentos. Xavier aponta que, se houve dano, foi por falha ou negligência do operador, e não por ação do Estado.
A ação é de responsabilidade do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), que pede o ressarcimento pelos danos causados. A entidade acompanhava a Marcha dos Excluídos, que estava sendo realizada na região.
— A Procuradoria parte de uma premissa incompatível com a realidade técnica do equipamento, pois o manual do drone utilizado indica que sua velocidade máxima é de 57,6 km/h, muito distante dos mais de 100 km/h alegados pelo Estado. Além de o argumento apresentado não se sustentar, o próprio Estado reconhece que o equipamento da Polícia Penal era usado para a cobertura de um evento particular, o que reforça a inexistência de qualquer ameaça ou irregularidade por parte do operador — destaca o advogado Mauricio Seixas, que atua na defesa do InGá.
A versão é diferente da sustentada pelo governo gaúcho após o fato. Em agosto, a Secretaria Estadual de Sistemas Penal e Socioeducativo informou que a Polícia Penal abateu drones na ocasião, mas ressaltou que a área envolvendo o Centro Administrativo, próximo à Ponte de Pedra, fazia parte do perímetro do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, que estava sendo monitorado por causa da realização do Acampamento Farroupilha.
A coluna procurou novamente o governo para saber por que informações completamente diferentes foram dadas originalmente. Em nota (leia a íntegra abaixo), fala agora em um "conjunto de eventos", citando também a ação no CAFF.
Em uma das neutralizações, um drone da Brigada Militar também foi danificado. O prejuízo à corporação chegou a R$ 50 mil. O equipamento estava em uso no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho quando foi derrubado.
Nota do governo
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo esclarece que o uso do sistema antidrone, em setembro deste ano, ocorreu em razão do conjunto de eventos realizados no entorno do Centro Administrativo Fernando Ferrari, como o Acampamento Farroupilha e o Desfile Cívico de 7 de Setembro, que demandaram atenção especial das forças de segurança. Nesse contexto, havia ainda o evento da megarrampa, que era de natureza público-privada e contou com participação institucional do governo do Estado. A atuação foi medida preventiva, estratégica e legalmente respaldada, que levou em consideração todos riscos identificados durante a execução das atividades.
Durante a ação, foram visualizados drones com potencial risco a segurança das atividades. Os pilotos foram abordados, e um deles admitiu estar com seu equipamento em velocidade acima de 100km/h.
É importante salientar que, por questões de segurança, não são divulgados motivos e locais onde atuam os antidrones. Cabe lembrar que a tecnologia não derruba o dispositivo, mas bloqueia o sinal de controle, neutraliza o voo e conduz o drone até um ponto seguro de pouso. Eventual falha no planejamento operacional, será avaliado internamente.





