
A região mais turística do Rio Grande do Sul está congestionada. Uma obra, de responsabilidade da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), tem causado problemas no deslocamento entre Gramado e Canela.
Empresários e turistas reclamam da troca de asfalto pela qual está passando a RS-235, no trecho que recebe o nome de Avenida das Hortênsias. A obra tem causado grande lentidão visto que uma das duas faixas de tráfego fica interrompida no sentido Gramado - Canela.
A obra ocorre em meio às festividades do Natal Luz. Nesta época, Gramado recebe 2,8 milhões de visitantes.
Segundo o presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias, Cláudio Souza, mais de 150 reclamações de turistas foram feitas nos últimos dias. Há relatos de pessoas que perderam reservas feitas em restaurantes e outras que desceram dos veículos que as transportavam e se deslocaram a pé para fugir do congestionamento.
— A obra não precisaria ser feita agora, porque o asfalto não está tão ruim assim. Não tem buraco. Essa é uma época em que a cidade está lotada. A obra deveria ser feita em janeiro e fevereiro, não agora, criando caos na nossa alta temporada — avalia Souza.
A queixa é reforçada pelo presidente da Associação de Parques e Atrações da Serra Gaúcha, Renato Filho. Segundo ele, falta planejamento à EGR.
— Se precisarem fazer obra, ela deve ser planejada e adaptada à realidade da região. Nessa época já existe um problema de mobilidade por conta do aumento do fluxo turístico. Essas obras devem ser realizadas em baixa temporada ou, caso seja extremamente necessário realizá-las em momentos de alto fluxo, que o sejam no turno noturno — destaca Renato Filho.
Segundo a EGR, a troca de pavimento da RS-235 foi iniciada em julho e será concluída até o fim de novembro. A obra ocorre em trechos em que o revestimento apresentava defeitos que poderiam evoluir para buracos.
A empresa informa que está realizando a intervenção exclusivamente nos períodos de menor movimento na região, respeitando a programação de eventos, apesar da dificuldade causada pelo fluxo intenso de visitantes em Gramado e pelos períodos de chuva.
— As obras não foram executadas em janeiro de 2024, porque neste período estávamos ainda trabalhando em alguns pontos que foram atingidos pelas enchentes. Começamos (a obra) em julho sempre respeitando as questões das concentrações de trânsito. Nem sempre se consegue acertar bem as datas, mas o intuito sempre foi esse — informa o presidente da EGR, Luis Fernando Vanacor.
A empresa complementa que não poderia esperar para realizar a obra em janeiro de 2026, pois isso poderia resultar no agravamento dos defeitos do pavimento, exigindo intervenções mais amplas e obras mais custosas.
O prefeito de Gramado avalia que toda obra traz transtornos. Nestor Tissot defende que ela ocorra.
— Não podemos escolher dias devido a vários fatores como tempo, contratação de empresas, entre outros. Felizmente, neste segundo semestre, todos os dias estão movimentados. Há desvios (rotas alternativas) que podem ser aproveitados. Eu prefiro que façam a obra mesmo com transtornos passageiros do que não ter prazo para fazer. Eu diria que é um transtorno suportável — destaca Tissot.


