
Um barulho alto chamou a atenção dos moradores de Porto Alegre na tarde de quarta-feira (12). Do Centro à Zona Sul, relatos de pessoas apontavam para um forte estouro ocorrido na cidade.
O canal de WhatsApp da Rádio Gaúcha recebeu dezenas de mensagens. Uma delas descrevia, inclusive, que o chão do apartamento, na Zona Sul, chegou a tremer.
Moradores que olharam para o céu identificaram a circulação de caças da Aeronáutica. Somente nesta sexta-feira (14), a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o barulho ouvido em Porto Alegre ocorreu porque houve um ensaio em voo do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), que envolveu uma aeronave de caça F-5. As operações ocorreram na região entre Pelotas e Porto Alegre.
"A FAB conduziu o voo supersônico, de modo a romper a barreira do som, sem sobrevoar por áreas habitadas e respeitando a altitude mínima estabelecida para voos supersônicos", esclarece a Aeronáutica.
Na fonia captada entre pilotos e o controle de tráfego aéreo, diálogos apontaram a presença do F-5 Tiger II, um jato de combate supersônico do Esquadrão Pampa, sediado na Base Aérea de Canoas. O piloto, inclusive, chegou a fazer uma passagem baixa pelo aeroporto Salgado Filho e atingiu uma altitude mínima de 600 metros acima do solo.
Neste momento, o barulho forte dos motores deve ter chamado a atenção dos moradores, mas sem ultrapassar a barreira do som.
— O estrondo acontece quando o F5 ultrapassa a velocidade do som. A velocidade do som, no ar, ao nível do mar, é de aproximadamente 1.200 km/h. A onda de choque acontece quando o avião acelera além dessa velocidade. Ele comprime o ar à frente de si. Essas ondas de pressão não conseguem se dissipar normalmente e se acumulam, formando uma onda de choque. O boom sônico, essa onda de choque, se propaga até o solo e é percebida como um estrondo alto, muitas vezes confundido com explosão — explica o coronel da reserva da Brigada Militar, Cesar Santarosa, que atua como instrutor de voo por instrumentos do curso de Ciências Aeronáuticas da PUC do Rio Grande do Sul e que já foi secretário estadual de Segurança Pública.
Se naquela altitude tivesse sido realizado um voo supersônico haveria registros de janelas quebradas pela cidade. Por isso a FAB descreveu que foi respeitada a altura mínima do sobrevoo.
— O caça F-5 Tiger II, usado pela Força Aérea Brasileira, é capaz de atingir velocidades supersônicas. Em treinamentos, como já ocorreu no litoral gaúcho, moradores ouviram estrondos e até relataram que paredes e janelas tremeram. Isso acontece porque o boom sônico não é apenas um som, é uma onda de pressão que pode causar vibrações em estruturas — salienta Santarosa.
Estes períodos de treinamentos com caças são rotineiros. Eles costumam ocorrer mais no segundo semestre. Em 2019 e 2022, moradores de Porto Alegre também relataram estrondos que foram causados por ações de jatos da FAB.




