
Gaúcho de Porto Alegre, o advogado Eduardo Peña é um dos grandes conhecedores das negociações envolvendo Grêmio e OAS. Em julho, ele participou das tratativas que resultaram na compra da gestão da Arena por Marcelo Marques.
— Acho que sou o mais longevo neste acompanhamento. Passei pela gestão de três presidentes do Grêmio. O acionista mudou. A OAS entrou em recuperação judicial, parte da empresa foi vendida e virou Metha — relembra Peña.
O movimento que foi consolidado em julho por Marques já havia sido tentado por presidentes do Grêmio nos últimos anos. Nas gestões de Romildo Bolzan e Alberto Guerra, a aquisição da Arena esteve muito próxima. Detalhes impediram o desfecho positivo.
— Foi o negócio mais difícil do mundo. Quando se conseguia equacionar uma parte, a outra endurecia. Ninguém poderia receber muito e todos precisariam ceder — revela o profissional.
Na opinião do advogado, o desfecho positivo de julho ocorreu devido à segurança que Marcelo Marques trouxe às negociações.
— O Penha foi um estadista. Ele não participou em relação à negociação, mas chegou na sexta-feira (11 de julho) para ajudar na construção do texto (do contrato de venda). Um profissional que fez de tudo pra que desse certo negócio — destaca o advogado de Marcelo Marques, Marlon Passos.
Com o negócio sacramentado, Marques fez o pagamento da primeira parcela logo após a assinatura do contrato.
— Se tinha receio que o Grêmio não conseguiria pagar (a dívida) à vista. O clube não oferecia garantias suficientes para a empresa. Isso trazia insegurança. Sendo um clube de futebol, com gestões que mudam a cada 3 anos, acredita-se que o risco de inadimplemento era muito grande — explica Peña.
Segundo ele, a operação da OAS na Arena não deu certo porque, além do custo operacional do estádio, a construtora precisava pagar as dívidas da obra. O profissional destaca que a Arena dará retorno se continuar sendo administrada como atualmente.
— A Arena sempre gerou receita suficiente para pagar o custo operacional. Mas pagar a dívida de R$ 3,5 milhões por mês ficou inviável — destaca Peña.
CEO da Arena

Aos 49 anos, o pai da Sophia, de 3 anos, surfista nas horas vagas é ex-presidente da Federação Gaúcha de Tênis. Ele também já foi CEO da Arena.
A ligação direta do profissional com o Tricolor começou há quase 20 anos. Em 2008, Peña se mudou para São Paulo para fazer doutorado e trabalhar em um renomado escritório de advocacia. A empresa prestava serviço para a OAS, que se tornou a construtora do novo estádio do Grêmio.
Coube a Peña ser o gerente jurídico da empresa. Em 2013, para atender a uma necessidade familiar, o advogado precisou retornar para o Rio Grande do Sul. Na capital gaúcha se tornou diretor jurídico da Arena Porto-Alegrense.
Um ano depois, veio o desafio maior: ocupar o cargo de CEO do estádio, posição que ocupou até 2016. A saída foi tratada em comum acordo. A Arena Porto-Alegrense terceirizou o seu departamento jurídico e a prestação de serviços coube ao escritório de Peña.
— O Peña sempre foi muito solícito às demandas do Grêmio, sempre buscou atuar como um interlocutor das partes buscando o entendimento, obviamente respeitando os interesses do seu empregador — destaca o presidente do Grêmio, Alberto Guerra.
Futuro da Arena
Na opinião do ex-CEO, a Arena precisa ser encarada como um negócio separado do futebol. Os recursos que o estádio é capaz de gerir não devem ser transferidos, pois a manutenção do imóvel precisa ser constante. Um dos desafios é o gramado.
— O que a história demonstrou é que o gramado sempre será uma dificuldade. Não tem solução mágica. Tem de ser sempre muito bem cuidado — avalia Peña.
Outra questão é a dificuldade de se conciliar o calendário de shows e jogos.
— Show envolve antes e depois do evento. E o calendário do futebol está muito intenso. A receita do show não é uma receita relevante. É uma pena, pois a Arena é o melhor lugar do Rio Grande do Sul para se fazer grandes shows. Para a cultura, é uma perda. Mas, para o clube, a perda é irrelevante — destaca o advogado.



