Os tapumes escondem quão bonita a obra está ficando. Quem passa pela Avenida Borges de Medeiros poucas vezes deve ter visto as paredes do viaduto Otávio Rocha sem pichações.
Um trabalho exaustivo vem sendo realizado para recuperar a estrutura, corrigir infiltrações e devolver para uso um viaduto construído há quase cem anos.
O foco atual está na Rua Duque de Caxias. O piso está sendo trocado. A via deve ser totalmente liberada em outubro.
Essa parte da obra não estava prevista originalmente. No entanto, foi necessário incluir a impermeabilização da estrutura, por causa das infiltrações que vinham da parte alta do viaduto.
No restante, a obra está na fase dos arremates. A intenção é finalizar o serviço em dezembro.
Partes do piso instalado nas escadarias apresentaram defeito e precisaram ser trocadas. Essa troca não tem ocasionado custo a mais. Ele é de responsabilidade da empresa Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia, responsável pela obra.
O grande problema tem sido a umidade que tem surgido nas paredes do viaduto. Ela é causada por encanamentos com problemas de prédios vizinhos e pelo solo permeável da região. O esgoto dos imóveis vertia na região ocasionando um odor muito ruim para quem passava pelo viaduto.
A sujeira de pombos é outro desafio. Os dejetos das aves têm manchado o piso.
Uma solução encontrada foi usar espículas - estruturas pontiagudas - na parte onde os animais pousam. A instalação foi autorizada pelo Conselho do Patrimônio Histórico Cultural (Compahc), já que a construção é tombada.
As 31 lojas da estrutura estão prontas. Totalmente reformadas, ganharam até projeto hidráulico.
— Pensamos em fazer entregas pontuais, mas, por conta de furtos e vandalismo, vamos liberar apenas quando a obra estiver pronta. Mesmo depois de concluída (a reforma), a empresa vai seguir atuando depois da obra entregue — informa o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, André Flores.
Essa preocupação com vandalismo não é à toa. Há 3 semanas, ladrões invadiram a obra e quebraram as paredes de vidro das escadarias internas.
A obra está custando R$ 19,2 milhões. Em novembro de 2022, quando a restauração começou, a prefeitura previa investir R$ 13,7 milhões. Originalmente, os trabalhos deveriam ter sido finalizados em maio de 2024.
Patrimônio
A revitalização está sendo executada com recursos recebidos da Corporação Andina de Fomento (CAF) destinados a recuperar a orla do Guaíba. Inaugurada em 1932, a construção foi tombada como patrimônio histórico cultural em outubro de 1988. A última vez que o viaduto de 270 metros de extensão passou por obras foi em 2001.
Concessão do viaduto
Paralelamente, a prefeitura contratou a empresa São Paulo Parcerias para desenvolver os estudos necessários para repassar a manutenção do espaço à iniciativa privada. Enquanto a contratação não é realizada, a administração municipal deverá lançar uma ocupação provisória.





