
Um estudo sobre o sistema de Veículo Leve sobre Trilho (VLT) foi doado por um consultor à prefeitura de Porto Alegre em agosto. O trem de superfície é movido a eletricidade e é visto como uma opção sustentável para o transporte público.
Com o documento em mãos, a prefeitura poderá dar prosseguimento às ações para realizar um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) sobre a linha e uma Parceria Público-Privada (PPP). O objetivo é que o VLT se integre às linhas metropolitanas.
Três traçados foram apresentados (veja abaixo) ao secretário municipal de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer. A linha principal, de 10,7 quilômetros, sai do Terminal Triângulo na Avenida Assis Brasil, e passa pelas avenidas Sertório e Farrapos, chega até a Rua Voluntários da Pátria e se desloca até a Praça XV, no Centro Histórico.
Da região do aeroporto Salgado Filho também partiria um trem que se conectaria à linha principal na região da Avenida Farrapos. O traçado tem 2,7 quilômetros.
No Centro Histórico, a linha teria três alternativas. A mais longa, com 5,3 quilômetros, passaria pela Avenida Mauá e Avenida Edvaldo Pereira Paiva, até o Centro Administrativo do Estado, retornando pela Avenida Borges de Medeiros.
Uma segunda opção, com 5,1 quilômetros, passaria pela Rua dos Andradas até a orla do Guaíba. Uma terceira linha, com 2,1 quilômetros, usaria a Avenida Borges de Medeiros até o Centro Administrativo do Estado.
Ainda não há previsão de investimento ou custo ao passageiro. O que se identificou é que, assim como ocorre com a tarifa de ônibus municipal, a passagem precisará ser subsidiada para garantir a atratividade pelo transporte.
Esse modelo de transporte já é adotado em cidades brasileiras e europeias. O veículo pode transportar até 560 passageiros e tem vida útil de 40 anos.
A ideia apresentada à prefeitura é usar os corredores de ônibus, o que diminuiria a necessidade de se fazer desapropriações e teria pouco impacto ambiental. Somente na região do Quarto Distrito, seria necessário garantir um pátio de estacionamento e manutenção dos veículos.
O encontro de agosto foi o quarto ocorrido até agora com Schirmer. Em dezembro de 2024, houve uma discussão sobre o que era a tecnologia e seu papel para revitalização de áreas urbanas.
O consultor não quis ter seu nome divulgado. À coluna, ele disse apenas que atendeu a um pedido feito ao engenheiro Berfran Rosado no ano passado.
O assunto vem sendo discutido dentro do governo. Em 2021, Schirmer visitou a sede da Marcopolo em Caxias do Sul para conhecer melhor a tecnologia.
Ainda em 2025, a prefeitura pretende contratar um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) para avaliar não só o VLT, mas também outras alternativas de transporte.
Um levantamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades projetou que a Região Metropolitana de Porto Alegre tem capacidade de receber 93 quilômetros de linhas de transporte coletivo até 2054. O investimento beneficiaria novos trechos de metrô, trem, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Bus Rapid Transit (BRT) e corredores exclusivos de ônibus.


