O Edifício Galeria XV de Novembro, conhecido como Esqueletão, está virando fantasma. O prédio já perdeu 16 dos seus andares desde o início da demolição.
O ritmo dos trabalhos está acelerado, e há grandes chances de o término da demolição ser antecipado. A empresa FBI estima que o serviço seja finalizado entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro.
Apesar disso, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura mantém o último prazo divulgado. O prédio da década de 50 deve desaparecer até o fim do ano.
— A gente até acha que pode terminar antes, mas nossa meta é ter o terreno limpo e cercado até o final do ano — diz o secretário André Flores.
O processo para demolição do prédio começou em janeiro de 2024, mas foi embargado um mês depois por divergências de fiscalização com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em agosto do ano passado, a empresa conseguiu autorização para retomar a destruição, o que se viabilizou em setembro com o desmonte dos quatro andares da estrutura nos fundos do terreno.
Já a demolição da torre principal do Esqueletão completou seis meses. Dos 19 andares, restam apenas três.
À medida que a destruição avança para os andares mais baixos, o som das britadeiras e das marteladas torna-se mais intenso para quem passa pelas ruas do entorno do imóvel do Centro Histórico. Até agora, 1,9 mil toneladas de caliça e 65 toneladas de ferro já foram retirados do local.
Depois da demolição
Ainda não se sabe o que será feito com o terreno após a demolição do Esqueletão. O prédio tem cerca de 50 proprietários e há dívidas em IPTU. Em setembro de 2021, a Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) avaliou o imóvel em cerca de R$ 3,4 milhões.
Recentemente, a prefeitura informou os custos da demolição para a Justiça - R$ 3,79 milhões. A destruição está sendo arcada pelos cofres públicos já que os proprietários não assumiram a responsabilidade.
Caberá ao Judiciário dizer o que será feito com a área e como a prefeitura será ressarcida. Uma das opções é o terreno ser repassado ao Município, se houver a intenção da prefeitura.
— Estamos examinando a possibilidade de desapropriação — secretário muinicipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre, Cezar Schirmer.
Ocupação
Inacabado desde a década de 1950, o Esqueletão já foi interditado administrativamente pela prefeitura em pelo menos duas ocasiões, nos anos de 1988 e 1990. Também já houve interdição judicial em 2019.
Nos primeiros dois andares, lojas vendiam seus produtos. Mas a prefeitura encontrou vestígios de ocupação do imóvel até o sétimo pavimento.



