
A queda do avião que matou onze pessoas em Gramado vai passar a ser investigada nos Estados Unidos. O acidente ocorreu em dezembro do ano passado em uma das regiões mais movimentadas da cidade.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) comunicou a Polícia Civil sobre o novo rumo das investigações. Como o motor do Piper Cheyenne não foi fabricado no Brasil, a empresa americana responsável se disponibilizou em analisar a peça.
O inquérito já está praticamente concluído, mas aguarda essa nova apuração para ser finalizado. Um relatório preliminar do Cenipa, divulgado em janeiro, apontou duas possíveis causas.
A primeira delas identificou que, apesar de a aeronave ter seus equipamentos e sistemas funcionando, colidiu com um obstáculo. Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, em geral, este tipo de acidente tem como principal fator contribuinte o incorreto conhecimento, por parte do piloto, da real situação de sua aeronave em relação ao solo ou a obstáculos no terreno.
No momento do acidente, a forte cerração atingia o aeroporto de Canela, de onde a aeronave partiu. O estabelecimento não tem estação meteorológica. Também não há torre de controle que pudesse fornecer autorização para pouso e decolagem.
Dessa forma, a decisão de prosseguir viagem foi do piloto. O empresário Luiz Cláudio Galeazzi pilotava o avião, que era de sua propriedade.
A outra causa apontada se refere à perda de controle em voo. Segundo definição da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), esse problema ocorre quando há um desvio extremo da trajetória do voo desejada.
Na época do acidente, especialistas ouvidos pela coluna disseram que o avião não deveria ter decolado. A forte cerração que atingia o aeroporto de Canela naquele dia não recomendava que houvesse voo e pode ter contribuído para a desorientação espacial do piloto.
A aeronave não tinha caixa-preta. Também não havia sistema de gravação de áudios.
O acidente
O acidente aconteceu próximo à Avenida das Hortênsias, no bairro Avenida Central. A aeronave, de prefixo PR-NDN, decolou de Canela às 9h15min e tinha como destino Jundiaí (SP).
Três minutos depois, o avião fez uma forte curva à direita, colidindo com a chaminé de um prédio em construção. Em seguida, bateu em uma casa e uma loja de móveis.
No momento do acidente, 10 pessoas da família Galeazzi estavam a bordo do avião com motor a hélice. Todas morreram.
Os destroços também atingiram uma pousada, ferindo gravemente duas pessoas com queimaduras. Uma das vítimas, a camareira Lizabel de Moura Pereira, morreu três meses após ser internada. Outras 17 pessoas, que estavam na região onde a aeronave caiu, ficaram feridas.



