
Mais uma má notícia para quem aguarda o término da obra de recuperação da ponte que conecta as ruas Ramiro Barcelos e São Luís com a Avenida Ipiranga. O trânsito na região não será liberado antes de março de 2026.
A demora na solução do problema ocorre porque a ponte está mais danificada do que o constatado originalmente. Das 12 vigas que sustentam o pavimento, duas estão rompidas.
Um estudo contratado pela prefeitura em 2023 para identificar as necessidades de uma reforma na ponte apontou que não havia anomalia. A conclusão é que o problema surgiu após a realização dessa análise, em outubro do ano seguinte, quando a autorização para o início da obra foi concedida. Uma das hipóteses é que a enchente de 2024 pode ter acelerado o desgaste da estrutura.
— Era impossível prever quando a gente contratou. Ela poderia ter caído sozinha. Seria uma tragédia — avalia o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, André Flores.
Uma adequação aos trabalhos foi feita, e a RCA Engenharia e Infraestrutura chegou a iniciar a recuperação das vigas. No entanto, a empresa descobriu que a ponte possuía um sistema de construção formados por cabos de aço, numa estrutura bem mais complexa.
Isso significa que, se esses cabos forem soltos para que as vigas sejam recuperadas, é possível que a estabilidade da ponte não possa mais ser garantida. O que tornou ainda mais difícil essa análise é que a prefeitura não dispõe do projeto da travessia, que tem mais de 60 anos.
Por enquanto, a prefeitura não sabe quanto tempo mais a obra levará nem quanto gastará. Uma certeza é que há ainda mais sete meses de trabalho, em um cenário otimista.
A empresa RCA está entregando as últimas análises solicitadas pela Smoi. Segundo o secretário, o objetivo é saber se é possível recuperar a ponte atual. Caso não seja, a prefeitura terá de autorizar a demolição da travessia e a construção de uma nova.
O contrato atual será encerrado, e uma nova licitação será realizada. Ainda não se sabe se uma contratação emergencial será feita. Há receio de que a ponte possa ruir e bloquear o escoamento de água no Arroio Dilúvio.
O que torna esse cenário ainda mais complexo é que a ponte da Ramiro é um bem inventariado da cidade. Ou seja, ela não pode ser destruída sem que o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compach) seja informado e autorize.
Histórico
A ponte foi bloqueada para obras em outubro do ano passado. Os trabalhos deveriam durar até fevereiro.
O desastre climático de maio agravou a situação da ponte. Os novos danos na estrutura foram identificados quando a RCA começou a obra. A prefeitura chegou a adiar o término da reforma para outubro de 2025.
Porém, no último mês de março, quando a empresa se preparava para iniciar o conserto emergencial, um novo problema surgiu. Desde então, a prefeitura e a empresa vêm realizando estudos para identificar o que pode e precisa ser feito.






