
Uma sala de reuniões do hotel Emiliano, em São Paulo, foi o palco de uma das negociações mais importantes da história recente do Grêmio. Comandada pelo empresário Marcelo Marques, a reunião, realizada no dia 11, selou a compra da gestão da Arena e da dívida pela construção do estádio.
O encontro, que teve a participação de 10 pessoas e ligações constantes com o presidente do Grêmio, Alberto Guerra, e o vice-presidente do Conselho de Administração do clube, Eduardo Magrisso, contou com muita confiança, otimismo e ansiedade. Sempre com a camisa do Tricolor, Marques acompanhava as tratativas.
— O Marcelo sempre se mostrou confiante, otimista, querendo muito fechar o negócio. Demonstrava ansiedade para celebrar o negócio logo, naquele dia mesmo. Ele não queria deixar para o sábado — revela uma das pessoas que participaram da reunião com quem a coluna conversou.
A movimentação começou na quinta-feira (10). Em São Paulo, Marcelo e sua equipe já conversavam com representantes da Revee e da Arena Porto-Alegrense. O empresário, candidato à presidência do Tricolor, queria fechar o negócio no dia seguinte.
Mas o movimento que consolidou as compras começou às 10h de sexta-feira (11), quando a ideia foi sendo colocada no papel. Três minutas de contrato, com cinco páginas cada uma, foram redigidas. Por volta das 14h, uma pausa para o almoço foi feita, dentro do próprio hotel da Avenida Oscar Freire.
A primeira minuta tratou da compra da dívida pela construção do estádio. A segunda consolidou a venda da gestão da Arena.
A terceira — única que ainda não foi assinada — trata do encontro das dívidas que precisa ser reconhecido por Grêmio e Arena Porto-Alegrense. O Tricolor precisará aceitar a doação feita por Marcelo, precisará concordar com desistência de ações judiciais e aceitar este encontro de dívidas com a gestora do estádio.
Pouco depois das 21h, todas as partes chegaram a um acordo. Foi o momento que se escolheu para divulgar a informação para a torcida do Grêmio. Marques queria fazer as transações financeiras naquele momento.
Para a Revee, o pagamento de R$ 80 milhões foi definido em seis prestações de aproximadamente R$ 13 milhões. A Arena Porto-Alegrense ficou com R$ 50 milhões, pagos em nove parcelas de aproximadamente R$ 5,5 milhões.
— Ele fez o Pix da primeira parcela na hora — revela a pessoa que participou do encontro.
A euforia tomou conta de todos. O brinde com espumante, que chegou a ser pensado, foi esquecido em meio às comemorações.
Marques fazia questão de destacar que, para ele, só importava a sua família, a sua empresa e o Grêmio. Chegou a comentar que não queria iate ou carro e que seus parentes já estavam bem protegidos. As minutas só foram totalmente redigidas por volta das 23h, quando todos se despediram e cada grupo seguiu para suas comemorações.
— É difícil fazer um negócio desse tamanho sem ter um pouco de confiança. Ele (Marques) deu um peitaço. A maior sinalização foi dele. Ele assumiu os maiores riscos — conta a fonte.
Os participantes
Junto a Marcelo Marques, estavam o advogado Marlon Passos e seu irmão Diego Passos. Pela Metha estavam presentes José Manoel Parada e Josedir Barreto. Pela Arena Porto-Alegrense estiveram o CEO Mauro Araújo e os advogados Guilherme Zugno, Eduardo Peña e Nathália Steffen. A Revee foi representada pela advogada Giovanna Michelleto.

