
A Corregedoria-Geral da Polícia Penal afastou nesta quinta-feira (18) um policial penal suspeito de facilitar a fuga de um presidiário indiciado por 10 homicídios. O apenado, Willian Ramos Silveira, o Will, sumiu da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC), no município do mesmo nome. Integrante da facção criminal mais violenta do Rio Grande do Sul, ele foi dado como desaparecido em 1º de junho, mas a suposição é de que esteja nas ruas pelo menos desde 27 de maio, quando foi anotado nos computadores do sistema prisional que teria sido "removido a hospital".
Willian partilhava cela com oito homens. Investigações da Polícia Penal (antiga Susepe) e da Polícia Civil constataram que esse atendimento de saúde nunca ocorreu. O preso saiu pela porta da frente do presídio. Há desconfiança de que a fuga dele possa ter ocorrido até antes de 27 de maio, já que a informação sobre o atendimento de saúde é falsa.
A suspeita é que a montagem que propiciou a fuga tenha ocorrido em duas etapas. Primeiro, teria sido forjado um documento no qual o nome de Willian foi inserido, num alvará de soltura, no lugar de outro preso que teria esse direito. Depois, a licença para atendimento médico teria sido falsificada e colocada em computador, no Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen), evitando o alarme sobre a fuga.
O servidor afastado nesta quinta-feira, por 60 dias, teria pedido emprestada uma senha do sistema para um chefe, alegando estar com problemas para acessar o computador. As investigações apontam que o funcionário suspeito usou o código personalizado para inserir os dados do falso atendimento no Infopen. Tanto a Polícia Penal como a Polícia Civil investigam se outros servidores colaboraram para a fuga ou se a falsificação foi ato isolado.
O funcionário afastado é servidor de carreira da Polícia Penal há mais de 15 anos e já atuou em cargos de chefia na instituição, inclusive de direção. Com mudanças de governos, acabou voltando a trabalhar em penitenciária. A remuneração bruta dele é de cerca de R$ 16,8 mil mensais, com líquido de R$ 11,5 mil.
Caso se comprove a participação do servidor na fuga, ele deve responder por peculato (corrupção praticada por funcionário público), associação criminosa e falsificação de documento público.





