
O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), da Polícia Civil, investiga se ocorreu facilitação para a fuga do apenado Willian Ramos Silveira, 29 anos, que cumpria pena Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC). Ele sumiu e a Polícia Penal não sabe explicar as circunstâncias. A ausência do preso foi notificada na segunda-feira (1).
Outra delegacia, a de Capturas, está encarregada de tentar localizar o preso. A Corregedoria-Geral da Polícia Penal também investiga o episódio. Willian, conhecido traficante de drogas de Cachoeirinha e integrante de uma das mais violentas facções criminosas do Rio Grande do Sul (os Bala na Cara), até a semana passada estava numa cela com outros oito apenados.
Duas possibilidades são investigadas. A principal é que ele tenha fugido enquanto buscava atendimento médico, com licença das autoridades. Existe um registro interno, na PMEC, de que Willian teria saído em 27 de maio, às 10h17min, para "remoção a hospital". Não se sabe se de fato a saída aconteceu. A informação oficial é que policiais penais notaram o desaparecimento do criminoso durante contagem dos detentos, na última segunda-feira - ou seja, cinco dias depois da suposta saída para tratar da saúde.
O que intriga os agentes, tanto da Polícia Civil como da Polícia Penal, é que são feitas três contagens de presos por dia. Como não notaram o sumiço do preso?
Isso abre caminho para uma segunda hipótese: a de que ele tenha sido liberado do presídio mediante um alvará de soltura ou liberação para atendimento médico falsificado. Existem precedentes de casos assim no sistema prisional brasileiro. O problema é que toda medida de liberação de preso deve ser checada mais de uma vez no Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen), justamente para evitar documentos fake.
Apesar de jovem, Willian acumula registros de violência. Conforme a Polícia Civil, está indiciado por 10 homicídios, além de tráfico de drogas e vínculo a organização criminosa. É considerado importante na hierarquia da facção. Ele é sucessor de Tiago Soares da Silva, o Pequeno, um dos chefes do crime em Cachoeirinha. Will, como é chamado, foi preso pela última vez em julho de 2025, por PMs, contra os quais fez disparos de fuzil ao ser abordado.

Will tem precedentes de sumiço do sistema penitenciário. Em 5 de agosto de 2024 ele recebeu direito a cumprir pena em prisão domiciliar, mediante uso de tornozeleira. Alegava necessidade de tratar problemas da coluna. Fugiu em 19 de setembro daquele ano e só foi recapturado em 2025, no confronto com PMs em Cachoeirinha. Ele foi uma das 15 lideranças de facção que fugiram de forma semelhante naquela época, como revelou reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI).
Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), por meio da Polícia Penal, afirma que todos os fatos e circunstâncias relacionados ao caso "estão sendo rigorosamente investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal e pela Polícia Civil".


