
A Corregedoria-Geral da Polícia Penal gaúcha tenta desde o início da semana passada descobrir como o apenado Willian Ramos Silveira, 29 anos, sumiu da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC), no município do mesmo nome. Indiciado por 10 homicídios, considerado matador da facção Bala na Cara, ele foi dado como desaparecido na segunda-feira (1), mas a suposição é de que esteja nas ruas pelo menos desde 27 de maio, quando foi anotado no sistema prisional que teria sido "removido a hospital".
Já se sabe que esse atendimento de saúde nunca ocorreu e ele saiu pela porta da frente do presídio. Há desconfiança de que a fuga dele possa ter ocorrido até antes de 27 de maio, já que a informação sobre o atendimento de saúde é falsa.
Willian partilhava a cela com oito homens. A Polícia Penal investiga vários servidores que estavam de serviço nesse período do sumiço. A Polícia Civil se juntou a esse esforço. Elas trabalham com duas hipóteses. Uma é de que um complô de funcionários da penitenciária permitiu que o apenado fugisse, mediante uso de guia de liberação falsificada. A outra probabilidade é que todos tenham sido enganados pelos documentos falsos.
A suspeita é que a montagem que propiciou a fuga tenha ocorrido em duas etapas. Primeiro, teria sido forjado um documento no qual o nome de Willian foi inserido, um alvará de soltura, no lugar de outro preso que teria esse direito. Depois, a licença para atendimento médico teria sido falsificada e colocada em computador, no Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen), evitando o alarme sobre a fuga.
No rastreamento sobre a falsa licença para tratamento médico, colocada no Infopen, as autoridades já identificaram um policial penal. Só que não há certeza de que ele mesmo acessou o computador e forjou o documento: a senha dele pode ter sido clonada ou hackeada. Problema semelhante já aconteceu antes no Rio Grande do Sul, inclusive com falsificação de documentos emitidos por uma juíza criminal. Até por isso, as polícias vão com cautela na hipótese.
Caso se comprove um complô de servidores, eles podem responder por peculato (corrupção praticada por funcionário público), associação criminosa e falsificação de documento público.
As investigações abrangem quem chefiava o módulo da penitenciária onde estava William naquele dia, os carcereiros que estavam de serviço, os seguranças de todo o prédio e o setor de inteligência. A ideia é descobrir como ocorreu a fraude e questionar como aconteceu a libertação de um preso perigoso sem despertar desconfiança.
Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), por meio da Polícia Penal, afirma que todos os fatos e circunstâncias relacionados ao caso "estão sendo rigorosamente investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal e pela Polícia Civil".



