
Dia desses me peguei resmungando pela lentidão do computador em carregar as páginas. Logo me consolei e lembrei que vivi décadas sem internet. Meninos e meninas, sabem o que é isso? Ouviram falar, claro, mas creio que não têm ideia de como era trabalhar ou mesmo se divertir nos tempos pré-computador.
Usávamos máquinas de escrever pesadas, nas quais tínhamos de bater com força nas teclas de som metálico. A escrita surgia num papel. Não era possível apagar os erros de digitação, de tal forma que arrancávamos o papel e começávamos a redigir tudo de novo. É mole? Senta que vem mais história...
Antes do Google e da Wikipedia, a pesquisa era feita em enciclopédias: coleções de livros com verbetes sobre os feitos mais notáveis da humanidade ou sobre os fenômenos naturais (e artificiais) mais curiosos. Para pesquisar íamos em arquivos empoeirados, um desastre para alérgicos. Hoje basta falar no celular a palavra que logo surgem na tela compêndios sobre tudo que se queira saber, ricamente ilustrados, com fontes e polêmicas variadas.
Nos tempos pré-internet, a transmissão de textos e imagens era feita por telex, um aparelho do tamanho de um roupeiro, que tinha teclado de máquina de escrever e era ligado a uma linha telefônica. As letras escritas eram enviadas por telefonia até a sede do jornal (no caso dos repórteres) e apareciam do outro lado, num outro papel. Isso levava minutos. Tudo depois tinha de ser recortado, colado, medido e posteriormente virava imagem de página para ser impressa.
Quando inventaram o fax (alguém lembra dele?), que era 10 vezes menor e mais portátil que o telex, achei que nada mais genial seria produzido pela humanidade. Pouco tempo depois surgiram os notebooks e minha vida mudou para sempre. E a dos fotógrafos, também. As transmissões, que levavam dezenas de minutos, viraram instantâneas.
É por isso que não disfarço o sorriso quando vejo a garotada reclamar que o sinal do Android está fraco. Faria bem a eles uma viagem aos priomórdios da comunicação. E olha que nem falei de IA e seu salto quântico no conhecimento adquirido.


