
Adrenalina é ótimo. O hormônio nos induz a superar limites, naquela sensação de superpoder, de driblar a morte. Que o digam os para-quedistas, os alpinistas, os dublês de astros famosos em acrobacias. Mas há riscos e, mais que isso, perigos tremendos em algumas atividades. É o caso da submersão em cavernas subaquáticas, o espeleomergulho, buracos onde a luz do sol não penetra.
Era isso o que faziam cinco mergulhadores italianos na última quinta-feira (14). Eles exploravam um complexo de cavernas a 50 metros de profundidade nas Maldivas, arquipélago da Ásia famoso por águas translúcidas.
Eram todos experientes e, talvez por isso, não tenham hesitado em se aprofundar por túneis rochosos com pontos em que a largura é suficiente para um ser humano por vez. Acontece que o complexo de cavernas era um labirinto escuro, com várias ramificações que se afastam cada vez mais da superfície.
Um mergulhador conseguiu encontrar a saída em meio à escuridão, os outros morreram por falta de oxigênio. Em escuridão total. O sexto morto é um membro de uma equipe de resgate das Maldivas, que tentava localizar os corpos e também se asfixiou. Puro heroísmo.

Tragédia horrorosa, mas não inédita. Segundo a polícia local, 112 turistas morreram em incidentes marítimos no arquipélago asiático nos últimos seis anos.
O acidente pavoroso me fez recordar dois mitos gregos, o do Minotauro e o de Ícaro. No primeiro, Teseu, rei de Atenas, usa um novelo de lã para marcar o caminho num labirinto e escapar de uma caverna tortuosa na ilha de Creta, onde vivia um monstro (meio touro e meio homem, o Minotauro). Na segunda lenda, Ícaro e seu pai escapam de de outro labirinto, num rochedo, usando asas construídas com penas, fios, roupas e ceras de abelha. Só que Ícaro não segue conselhos para se manter distante do Sol. Sonha em se aproximar dos deuses, no céu. E, quando o clima aquece, a cera derrete e ele cai no mar, se afogando.
No jornalismo alguns estão acostumados a correr riscos, sobretudo correspondentes de guerra. O fazem (pelo menos no início) pelo impulso de relatar dramas coletivos, mostrar a história no momento em que ela acontece. Muito diferente é quando isso vira busca por excitação ou exibicionismo. O preço a pagar pode ser fatal.




