
O Brasil Contra o Crime Organizado é o nome do plano lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (12). Não por acaso, acontece em ano de eleição presidencial. O Instituto Datafolha aponta que quatro em cada dez eleitores (69 milhões em 156 milhões de pessoas aptas a votar) dizem ver atuação de quadrilhas nos bairros onde vivem. A segurança continua no topo das preocupações cidadãs.
Aliás, isso é curioso. O Brasil já foi bem pior, em termos de mortandade. Há mais de cinco anos os índices de homicídios e latrocínios vêm caindo, num fenômeno que mistura aí investimentos nas polícias (pelos estados e pela União), tecnologia contra o crime, regras mais rígidas para cumprimento de penas para autores de crimes hediondos e lideranças criminosas. Além de acordos entre facções para uma diminuição nos acertos de contas - tréguas não escritas, mas cumpridas.
Mesmo com essa diminuição de crimes violentos, a população quer mais. E Lula, ele próprio pré-candidato a presidente, decidiu fazer um movimento de agrado. O pacote federal prevê investimento de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento da União e R$ 10 bilhões via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os estados.
O governo deve editar um decreto e quatro portarias para regulamentar os seguintes eixos de atuação governamental:
- Enfrentamento ao tráfico de armas.
- Asfixia financeira do crime organizado.
- Aumento das taxas de esclarecimentos de homicídios.
- Reforço na segurança no sistema prisional.
Em relação às penitenciárias, a ideia é implementar nos presídios estaduais o mesmo padrão de segurança das unidades federais, com bloqueadores de celular e equipamentos mais modernos de raio-x e de revista.
Vai dar certo? Aí que mora a questão. De anúncios sobre melhorias governamentais o Brasil está cheio. Mas é sempre boa a notícia quando autoridades se comprometem a enfrentar o crime. Pior se nada anunciassem.



