
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar realizou na sexta-feira (8) uma ação de busca e apreensão de celulares usados pelos 18 PMs envolvidos na morte do plantador de morangos Marcos Nörnberg, ocorrida 15 de janeiro em Pelotas. O agricultor foi atingido por quase uma dezena de tiros disparados pelos brigadianos que entraram em sua propriedade rural, pensando que se tratava de um esconderijo de ladrões de veículos. A informação estava equivocada e a vítima foi morta ao reagir a tiros a abordagem, que foi feita na escuridão, às 3h da madrugada.
Um Inquérito Policial Militar (IPM) feito pela Corregedoria-Geral da BM conclui que os PMs não cometeram crimes, mas praticaram falhas graves de planejamento e inteligência que os levaram a confundir Nörnberg com um criminoso. O principal erro foi confiar na informação de criminosos presos, de que o local seria QG de uma quadrilha. O agricultor não tinha antecedentes criminais.
O inquérito da BM descartou que os PMs tenham cometido abuso de autoridade e tortura de familiares do agricultor morto, crimes que eram investigados. A viúva de Nornberg, Raquel, diz que foi submetida a humilhações e tortura psicológica pelos PMs, que pensavam que ela e o marido integravam uma quadrilha.
O Ministério Público Militar acredita que essas duas hipóteses de delitos (tortura e abuso) devem ser melhor investigadas e conseguiu, junto à Justiça Militar, ordens de busca e apreensão relativas aos 18 PMs envolvidos no caso de Pelotas. Inclusive oficiais. Eles são ligados ao 4º Batalhão de Polícia Militar e ao 5º Batalhão de Polícia de Choque. Foram apreendidos celulares e outros objetos dos policiais, que serão periciados. A ideia é verificar se versões a respeito do episódio foram combinadas entre os envolvidos.
O caso está em sigilo, mas o colunista confirmou a informação com fontes da própria Brigada Militar. A BM não se pronuncia oficialmente sobre o caso, nem o Ministério Público ou o Judiciário.
Dias 12 e 13, na próxima semana, deve ocorrer em Pelotas a reconstituição dos fatos que levaram à morte do agricultor. Ela será feita na madrugada, para ser fiel ao que aconteceu em janeiro. Os 18 envolvidos devem participar.
Uma outra investigação, específica sobre a morte de Nörnberg, é feita pela Polícia Civil. O objetivo é verificar se o que ocorreu é um homicídio ou pode ser caracterizado como legítima defesa dos PMs, já que o agricultor disparou contra eles antes de morrer. Não há prazo para conclusão desse inquérito.


