
O RS Seguro ganhou uma cartilha com 124 páginas e um link na internet para os que desejam aprofundar conhecimentos sobre o programa que conseguiu reduzir em até 90% os crimes graves no território gaúcho. Uruguai e Equador já se mostram interessados em testar o modelo, que marca as duas gestões do governador Eduardo Leite (PSD) à frente do Palácio Piratini. O projeto conseguiu reduzir a taxa de mortes violentas intencionais, entre 2017 e 2025, de 31,2 para 12 por 100 mil habitantes. Os roubos a pedestres diminuíram de 67.525 para 12.685, enquanto os roubos de veículos despencaram de 17.872 para 1.787 registros anuais.
O programa nasceu com o propósito de enfrentar a criminalidade a partir de evidências, metodologia e ações estratégicas de curto, médio e longo prazos, organizado em quatro eixos: Combate ao Crime, Políticas Sociais, Preventivas e Transversais, Qualificação do Atendimento ao Cidadão e Valorização Profissional, além de Sistema Prisional.
A parte mais avançada é o combate ao crime, priorizado nos 23 municípios com maiores índices de delitos graves. Entre as providências mais efetivas está o cercamento eletrônico das cidades, por meio de câmeras de vídeo monitoradas desde Centros Integrados de Segurança. Além disso, o patrulhamento de locais conflagrados e o saturamento de pontos de tráfico com tropas da Brigada Militar e transferência de líderes de quadrilhas para presídios de alta segurança ou até para outros Estados têm ajudado a reduzir homicídios.
A cartilha do RS Seguro, que está sendo traduzida para o inglês, foi bancada com ajuda financeira da Unesco (órgão das Nações Unidas para a Educação). O coordenador do programa, delegado Antônio Padilha, ressalta que a ideia é institucionalizar a iniciativa, de modo a que ela sobreviva às constantes trocas de governo.
Para isso, foi enviado à Assembleia Legislativa um projeto de lei que transforma o RS Seguro em política de Estado. Caso aprovado, o programa não dependerá de gestões de ocasião.
O RS Seguro é ancorado em mais de mil reuniões anuais, tocadas pela Secretaria da Segurança Pública, em parceria com as polícias estaduais, guardas municipais e todo o mosaico de forças que compõe a segurança. Os encontros acontecem em municípios, em regiões e, também, em nível estadual, sempre com exibição de resultados. Quando é detectado um crescimento de delitos graves, o problema é discutido e a região afetada recebe reforço de iniciativas estatais.
Padilha fez palestras sobre o RS Seguro no Equador e Uruguai (que se mostraram interessados em experimentar o programa) e na França, além vários Estados brasileiros. Em Paris, na Expo Favela Innovation, ele dividiu um painel com o Chefe de Polícia de Nova York. Ambos falaram sobre iniciativas que deram certo na redução de crimes.





