
O Wall Street Journal, bíblia dos investidores norte-americanos do mercado de ações, publicou esta semana extensa reportagem sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). Conforme o influente jornal nova-iorquino, a principal facção criminosa do Brasil, nascida nas cadeias, virou organização global, com atuação em 30 países e em todos os continentes (exceto a Antártida). Ele contaria com 40 mil membros e domínio na faixa da fronteira brasileira com países como Paraguai e Bolívia.
A reportagem poderia ser coincidência, mas não acredito. Ela aparece justo no momento em que cresce nos EUA o apoio a que o presidente dos EUA, Donald Trump, classifique o PCC e outras facções brasileiras como Organização Terrorista Estrangeira. O governo brasileiro é contra a medida. Está claro que teme a possibilidade de interferência estrangeira em nosso país - inclusive com ações de intervenção, como aconteceu na Venezuela com o sequestro do então presidente Nicolás Maduro.
A reportagem do jornal norte-americano ressalta que, "diferentemente dos narcotraficantes mexicanos, das milícias colombianas fortemente armadas ou dos grandes chefes do Comando Vermelho carioca, os membros do PCC têm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna e não fama - fugindo da violência gratuita que atrai a polícia e a televisão". Parte disso revelamos em série de reportagens publicada em Zero Hora em 2025.
O diário novaiorquino ainda salienta outras peculiaridades do PCC, como código de conduta rígido para novos membros, admitidos por meio de cerimônias de ingresso feitas por videochamadas desde os presídios.
O Wall Street Journal afirma que a maior facção brasileira está reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e avançando em direção aos Estados Unidos. Revela que autoridades norte-americanas identificaram pessoas ligadas ao PCC nos estados da Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Já em Massachusetts, o gabinete do procurador federal anunciou no ano passado acusações contra 18 brasileiros que teriam ligação com a facção.
Para mim está claro que o clima está se formando nos EUA para taxar de terroristas os narcotraficantes brasileiros. Nenhuma pena deles, mas me preocupa a possibilidade de intervenções estrangeiras aqui, com a desculpa de combater o crime.






