
O sujeito pode adorar Bolsonaro, pode odiar Bolsonaro, mas não tem como permanecer indiferente a manifestações como a que lançou as pré-candidaturas bolsonaristas no Rio Grande do Sul neste sábado (11). O que se viu no Parque Maurício Sirotsky, em Porto Alegre, foi um ato que misturou fervor religioso, cânticos evangélicos, teve pitadas de hip-hop em alguns momentos e foi embalado por um locutor de rodeios, para logo a seguir introduzir músicas gauchescas no repertório (veja vídeo abaixo).
Uma miscelânea que deu certo, a se julgar pelos assovios e aplausos entusiasmados do público, uma multidão magnetizada pela música em alto volume, que lotou um pavilhão com capacidade para 3 mil pessoas. O Bolsonaro que compareceu é Flávio, o filho mais velho do ex-presidente, candidato a ocupar a cadeira presidencial que já foi do pai. Mas o êxtase mesmo acontecia a cada menção a Jair, o patriarca do clã que galvaniza a direita no Brasil, hoje preso em Brasília, condenado por tentativa de golpe de Estado. No entender de 100% dos que estavam ali, uma injustiça que será vingada nas urnas. Não por acaso, algumas das frases mais aplaudidas foram "Fora Lula" e "Cai fora, Alexandre (de Moraes)".
Seguido de perto por sete agentes da PF e um sem-número de seguranças particulares (afinal, a lembrança do pai esfaqueado está na mente e nos discursos), Flávio foi recebido como um enviado do Messias (Jair Bolsonaro). Algumas senhoras fizeram até o sinal da cruz, esticando bandeiras do Brasil, quando o locutor com pinta de cowboy apresentou o filho presidenciável como se fosse uma reencarnação do pai ex-presidente: "Ah, o capitão voltou...o capitão voltou...pra nunca nos deixar".

Flávio, aliás, está cada vez mais parecido com o pai: cabelo penteado para o lado, mais magro que tempos atrás, deixou o terno de senador para trás e trajou uma camiseta amarela com os dizeres "Unidos pelo Rio Grande". Usou e abusou de homenagens ao heroísmo dos gaúchos durante a tragédia climática de 2024. Prometeu renegociar a dívida do Estado em termos dignos. Falou em duplicar a BR-290. Agradou, em suma, o público ávido por um aceno de Brasília.
Com menos palavrões no vocabulário e mais elegância que alguns adeptos do pai, Flávio poderia ser chamado de Bolsonaro de sapatênis. Mas fez eco a Jair ao falar que a missão número 1 é "varrer Lula do Palácio do Planalto" e pressionar por uma anistia aos presos pelos distúrbios de 8 de janeiro de 2023. E colheu demorados aplausos aos dizer que pretende vencer no primeiro turno. O que só o futuro dirá.




