
Psicólogos, psiquiatras, policiais, parapsicólogos, sociólogos, antropólogos e outros especialistas já intuem que a epidemia de feminicídios que atormenta o Brasil (e o Rio Grande do Sul) é reflexo da complexa crise de identidade que sacode o mundo masculino. Acostumados por milhares de anos a serem os condutores da família e dos costumes, a maioria dos homens perde o rumo e o prumo quando a companheira decide dizer adeus.
Autoestima abalada, muitos imploram por um retorno. E, quando ele não vem, partem para a violência. Por vezes as idas e vindas do casal duram anos, antes de um desfecho trágico. Até quando? Será possível que o sujeito se dê tão pouco valor que não consegue viver sem a ex? O planeta é grande, cheio de pessoas interessantes. Fim de uma relação não é fim de mundo. Levar um fora não é desonra. A química acabou, simples assim.
Uma das alternativas para conter essa chaga que sangra o Brasil é fazer cursos. Virar Homem com H, aquele que aceita levar um não e parte para outra. Existem programas educativos para sujeitos envolvidos em casos de violência doméstica, agressões e com potencial para feminicídio. São os chamados Grupos Reflexivos de Gênero ou Grupos de Responsabilização. Muitos são obrigatórios, por determinação judicial, após algum episódio violento. Psicólogos e assistentes sociais tentam ensinar o machão a manejar sua raiva e absorver o fim de uma relação. Tarefa nada fácil, mas necessária.
Assim como existem organizações do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, é desejável que existam também para masculinidade cidadã. Como nos dependentes químicos, começar contando e celebrando: "mais um dia sem errar, mais um dia sem bater, mais um dia sem me revoltar".
O ideal é que os cursos fossem para todos, por precaução didática, não apenas destinados aos que já apelaram para a violência. Talvez assim as próximas gerações venham mais tolerantes e não precisem conviver com os números espantosos de agressões à mulher.
Violência contra a mulher
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra foi inaugurada em 2024. O espaço fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos











