
O foragido número 1 do ranking de criminosos do Rio Grande do Sul esbanjava estilo no seu esconderijo. Tiago Benhur Flores Pereira, o Benhur, líder da maior facção criminal gaúcha, foi capturado quinta-feira (12) numa mansão em Tijucas (SC), situada numa encosta de serra, próxima ao litoral. A residência tem vários quartos, suíte com closet e jacuzzi, além de piscina e uma área gourmet para churrascos. O imóvel tem ainda uma quadra de esportes e um açude.
Benhur declarou informalmente que paga R$ 3,8 mil mensais de aluguel, valor que foi considerado muito baixo pelos policiais civis que o prenderam, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).
- Ele pode ser o verdadeiro dono do lugar, usando laranjas, como já fez em outros negócios - pondera o delegado Joel Wagner, da 3ª Delegacia de Investigações do Denarc, um dos responsáveis pela captura de Benhur. A Polícia Civil catarinense também auxiliou nas buscas.
De fato, entre as condenações de Benhur consta uma por lavagem de dinheiro (com uso tanto pessoas físicas quanto jurídicas) na compra de veículos de luxo, lanchas, imóveis, além de depósitos em pelo menos 13 contas bancárias.
Conforme os policiais, Benhur está condenado a 175 anos de prisão e tem cinco mandados de prisão preventiva em aberto. Uma das sentenças é por coordenar a construção de um túnel que permitiria a fuga de centenas de detentos do Presídio Central de Porto Alegre, em 2017. A escavação, que teria custado R$ 1 milhão na época, foi descoberta pela Polícia Civil antes de ser concluída. Por conta deste crime, Benhur chegou a ser transferido para uma penitenciária federal com outros 26 líderes de facção em operação de 2017. Retornou ao Rio Grande do Sul em 2023, para continuar cumprimento de pena.
Benhur estava foragido desde 25 de julho de 2024, quando foi constatada sua fuga do regime de prisão domiciliar humanitária. Ele tinha recebido permissão para realizar uma cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, em 22 de julho. O defensor dele alegou que o apenado não poderia receber o tratamento adequado dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde cumpria pena. "Não há como efetuar repouso durante 15 dias, com troca de curativos e, menos ainda, propiciar a fisioterapia três vezes por semana", citou a juíza da Vara de Execuções Criminais responsável na época pela concessão do benefício, Sonali Zluhan.
Benhur fez a cirurgia e dois dias depois não foi mais encontrado. Ele figurava até ontem na "Lista Vermelha" dos 216 criminosos brasileiros mais procurados, conforme levantamento do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Desses, sete são gaúchos.






