
Ao invés da conhecida TPM, Brasília está em TPD — Tensão Pré-Delação. No caso, as revelações em troca de pena atenuada viriam do banqueiro até então multibilionário Daniel Vorcaro (dono do liquidado Banco Master), preso e acuado por investigações da Polícia Federal.
O maior indicativo é de que o banqueiro trocou seu defensor, Pierpaolo Bottini, porque ele não conseguiu impedir que Vorcaro fosse mantido preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Bottini tem posição antiga contra a colaboração premiada. Já o novo defensor do banqueiro, José Luís Oliveira Lima, teve como um dos clientes o doleiro Alberto Yousseff, um dos maiores delatores da Lava-Jato.
A troca de advogado teria ocorrido após um piti em que o banqueiro encheu de socos a parede da cela e gritou para quem quisesse ouvir nomes de políticos e autoridades a quem teria financiado. E que agora temem sua língua afiada, lógico. Já é chamada Delação do Fim do Mundo, embora essa expressão já tenha sido usada durante a Lava-Jato em referência ao dossiê da Odebrecht.
Estabelecida em lei de 2013, a colaboração premiada exige que o delator confesse seus crimes e mostre disposição de devolver valores desviados ou ressarcir o erário pelos seus crimes. Em troca de revelações, tem a pena diminuída. Via de regra, o acordo é firmado com alguém que disposto a fornecer provas sobre o topo da cadeia de predadores (os criminosos).
Tudo indica que desta vez o acordo de colaboração, se ocorrer, será firmado com a Polícia Federal. O banqueiro evitaria a Procuradoria-Geral da República (PGR), que tem relutado em pedir investigações sobre ministros do STF — mesmo aqueles que sabidamente tiveram relações com Vorcaro.
E o que pode surgir daí?
Esquemas no Banco Master: estratégias financeiras suspeitas, captação de recursos e lavagem de dinheiro, talvez até vinculadas ao PCC.
Propinas: possíveis pagamentos de propina a servidores do Banco Central (cooptados para fornecer informações privilegiadas) e a políticos.
"Milícia Privada": como funcionavam os ataques contra desafetos, jornalistas e testemunhas, inclusive com ação de hackers.
Tráfico de influência: troca de figurinhas para obter decisões favoráveis no Judiciário, Legislativo e Executivo.
Não me surpreenderia se, em meio ao processo de delação, Vorcaro tenha destino similar ao do seu ex-capanga Luiz Phillipi Mourão, o Sicário. Que apareceu morto na cela em que estava preso.






