
O noticiário anda pródigo em vídeos nada elogiosos sobre as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Caso não tenha visto: são uns grandalhões, muitas vezes usando preto e máscaras, que percorrem as ruas norte-americanas, caçando imigrantes ilegais. A polêmica está no fato de que, além da atividade não muito simpática, andaram matando a tiros gente desarmada. Num caso, uma mulher que arrancou o carro de súbito. Noutro, um sujeito que lutou com os agentes na rua e foi morto por eles ao pensarem que o homem estava armado (não estava).
Desde que Donald Trump assumiu o cargo, há um ano, o número de agentes desse serviço saltou de 10 mil para 22 mil. Muito graças a uma campanha de recrutamento que inclui bônus de inscrição de até US$ 50 mil (mais de R$ 250 mil) e "opções de reembolso e perdão de dívidas estudantis". Jovens "patriotas" e ex-policiais são os preferidos. Não há estabilidade, o serviço é temporário, embora possa ser prorrogado por até quatro anos.
Trump parece mesmo decidido a cumprir sua promessa eleitoral de América para os americanos (do norte). Foram 605 mil pessoas entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025. Por receio, outros 1,9 milhão de imigrantes teria deixado o país antes de ser detido.
O orçamento do ICE, que era de US$ 10 bi, triplicou. Mas qual o grau de qualificação exigido? Aí mora o perigo. No ano passado, o tempo de treinamento para o ICE foi reduzido de 16 para oito semanas. A exigência de aprender um pouco de espanhol, o idioma da maioria dos imigrantes sem documentos do país, foi eliminada - o que dificulta a comunicação e favorece mal-entendidos.
Basta uma acessada no Google para ver filmagens de agentes do ICE agindo como hooligans: perseguindo, espancando e baleando pessoas. Até mesmo eleitores fervorosos de Trump têm desconfiado que a agência aderiu a um furor xenófobo. Outros a acusam de racismo.

Uma das mais surpreendentes críticas veio de um influenciador trumpista, Joe Rogan, que comparou o ICE à polícia secreta do nazismo.
— Não queremos militares armados circulando pelas ruas, prendendo pessoas aleatoriamente, muitas das quais acabam sendo cidadãos norte-americanos que simplesmente não estão com seus documentos no momento. Vamos realmente nos transformar na Gestapo? — questionou ele, esta semana. Falou e disse.


