
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (26) uma operação em que um dos presos é Marcelo Caumo, que foi prefeito de Lajeado entre 2017 e 2023. É a sequência de outra ação em que ele foi o alvo principal, desencadeada em novembro de 2025. O objetivo da investigação é apurar desvio de recursos públicos federais.
A prisão do político — que foi eleito pelo PP e atualmente é filiado ao União Brasil — é temporária, por cinco dias, renováveis por mais cinco. Foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para evitar que os investigados combinem versões e eliminem provas.
O delegado Marconi Silva, que chefia as investigações, justifica:
— Os suspeitos apresentaram explicações que não condizem com o analisado e verificamos que mensagens indicam possibilidade de eliminação de provas.
Caumo deve ser levado ao Presídio Estadual de Lajeado. Ele deve ser ouvido na próxima semana pela PF.
O também ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do governo Eduardo Leite é alvo de inquérito que apura irregularidades no manuseio de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Parte da verba teria sido repassada à administração municipal de Lajeado, no Vale do Taquari.

Ao investigar a destinação de verbas, a PF encontrou indícios de direcionamento em contratos da prefeitura de Lajeado com empresa de prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município do Vale do Taquari após enchentes.
Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta indícios de que a contratação direta da empresa investigada teria ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e os valores contratados estariam acima do valor de mercado. O valor total dos contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, soma aproximadamente R$ 120 milhões. Os alvos são investigados pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como lavagem de capitais.
Antes de ser prefeito, Caumo advogou para uma das empresas investigadas. No escritório em que ele atuava como advogado, os policiais encontraram R$ 411 mil em espécie num cofre. A origem do recurso é investigada.
Ouvido pela PF em novembro, Caumo disse que nunca favoreceu empresas nos contratos, mas deixou o cargo de secretário estadual do Desenvolvimento Urbano dois dias após a operação da Polícia Federal, em novembro. Desde então, a secretaria está sem titular.
Na operação desta quinta-feira, uma empresária ligada à empresa beneficiada pelas verbas também foi presa e uma vereadora de Encantado, afastada do cargo. A reportagem apurou que a vereadora afastada é Joanete Cardoso (PSDB) e que a empresária presa é Lorena Mercalli, da Arki. A secretária de Serviços Urbanos de Lajeado, Elisete Mayer, também foi afastada.
As buscas da PF ocorrem em 20 endereços nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. A Justiça determinou ainda o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos no montante de até R$ 5 milhões.
Em nota, a prefeitura de Lajeado afirmou que colabora com as investigações e disponibiliza à Polícia Federal os documentos solicitados. Leia na íntegra
Contraponto
A reportagem tenta localizar as defesas de Joanete Cardoso, Elisete Mayer e Lorena Mercalli. O espaço segue aberto a manifestações.
O que diz Marcelo Caumo
Advogado de defesa de Marcelo Caumo, Jair Alves Pereira afirma que desconhece "os fundamentos da prisão" e ainda não teve acesso a decisão. Segundo ele, o ex-prefeito de Lajeado tinha depoimento marcado para 4 de março.
— Eu desconheço, não entendo as razões. Me parece que não tem nada de fundamento para isso, mas eu preciso primeiro ter acesso à decisão — declarou Pereira.
O que diz a prefeitura de Lajeado
A Prefeitura de Lajeado informa que, na manhã desta quinta-feira (26/02), a Polícia Federal realizou diligências junto a setores do Executivo municipal, no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal.
A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão.
Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.




