
Pela segunda vez em dois anos, Porto Alegre se torna esta semana o centro do debate sobre investigação digital no Brasil. A Digital Investigation Conference Brazil (DICB 2026), que começou quinta-feira (26) e termina nesta sexta-feira (27) na capital gaúcha, debate o avanço das fraudes digitais e do crime cibernético. O evento, realizado no Instituto Caldeira, reúne autoridades nacionais e internacionais para divulgar inovação, tecnologia e discutir estratégias de enfrentamento no tipo de delito que mais cresce mundialmente.
A DICB é considerada hoje o principal evento do país voltado à inovação tecnológica aplicada ao combate ao crime. Ela oferece duas trilhas simultâneas de conteúdo por dia, reunindo especialistas da segurança pública, do Judiciário, do Ministério Público, da academia e do setor privado. Ao todo, estão sendo ministradas mais de 30 palestras, painéis e estudos de caso distribuídos entre o Palco Caldeira e o Campus Caldeira.
— O crescimento das fraudes digitais, do ransomware e dos crimes envolvendo criptoativos e engenharia social exige atualização constante. A DICB se consolidou como um espaço estratégico para troca de experiências, formação qualificada e integração entre instituições públicas e empresas de tecnologia—destaca o delegado Emerson Wendt, idealizador do evento e integrante do comitê científico.
O Brasil segue entre os países mais impactados por ataques cibernéticos na América Latina. Fraudes digitais continuam avançando em públicos cada vez mais jovens, enquanto golpes financeiros e ataques de ransomware geram prejuízos milionários todos os anos. Diante desse cenário, a DICB 2026 traz como tema central “Inovação e tecnologia contra o crime”.
Promovido pela WB Educação e a Faculdade Brasileira de Inovação (Fabin), o evento reúne policiais, juízes, promotores, investigadores de empresas privadas de tecnologia e especialistas do setor financeiro e de inteligência.
Um exemplo: a delegada da Polícia Civil gaúcha Luciane Bertoletti e o policial civil Renan Moura, ambos da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, ministraram a palestra “Identificamos e prendemos todos sem quebra de sigilo... mas pode isso Arnaldo?”. Eles mostraram que o sucesso no desfecho de alguns casos pode estar na coleta de evidências disponibilizadas pela própria vítima e em fontes públicas de informação, sem necessidade de ordem judicial.
Outro assunto, que será abordado nessa sexta-feira, é a Operação Carbono Oculto, que desvendou a penetração da maior facção criminosa brasileira, o PCC, no mercado financeiro. A palestra de Ana Paula Sanches, do Ministério Público de São Paulo, mostrará como se chegou às evidências digitais do caso.
Os ingressos são pagos. A DICB 2026 acontece no Instituto Caldeira (Travessa São José, 455 - Navegantes, Porto Alegre), das 8h às 19h.

