
Uma tragédia completa a morte do produtor rural Marcos Nörnberg em Pelotas, baleado por PMs que estariam em perseguição a uma quadrilha. Os policiais militares ingressaram na propriedade do homem, que desconfiou que eram ladrões e buscou uma arma. Os brigadianos derrubaram a porta e o balearam, de acordo com a viúva, Raquel Nörnberg. Ela assegura que eles não se identificaram como policiais antes de invadir a residência e as viaturas eram discretas, sem giroflex (luz de alerta intermitente). Isso aconteceu às 3h da madrugada, um horário incomum para uma ação policial, até porque mandados judiciais de busca ou de prisão devem ser cumpridos à luz do dia.
Os PMs poderiam entrar numa residência à noite? Ao contrário do que muita gente supõe, podem fazer isso, em ocasiões específicas. É o caso de prisões em flagrante para impedir que o morador cometa alguma violência contra um familiar, para evitar que ele descarte drogas ou armas e, também, em perseguição a alguém que se refugiou na casa. Para ficar em alguns exemplos.
Pelas apurações preliminares da Polícia Civil, os brigadianos alegaram que estavam atrás de uma quadrilha envolvida em sequestros. Seria estranho fazer isso às 3h da madrugada, mas até pode ser legítimo, desde que estivessem em perseguição continuada aos bandidos. Estavam? Ou receberam a dica errada dada por uma pessoa errada, agindo contra um cidadão honesto?

O episódio sangrento se soma a outro na semana, a morte de um homem em surto em Santa Maria, atingido por tiros de PMs que tinham sido chamados para contê-lo. Somados, os dois casos mostram que é hora de rever procedimentos. A viúva de Nörnberg afirma que eles derrubaram a porta e dispararam com fuzis sem que seu marido tivesse atirado. E sabemos que atirar deve ser a última opção do policial. "O vocabulário que usaram era de bandido. Não disseram que eram da BM. Destruíram minha casa. Quero justiça", desabafa ela. Até o fechamento dessa coluna a Brigada Militar ainda não tinha se pronunciado.




