
A última sexta-feira (16) deveria ser de colheita de elogios de parte do governador Eduardo Leite, que conseguiu emplacar os melhores índices de redução de crimes violentos em mais de uma década. Só que a conquista foi eclipsada pela sucessão de equívocos que levou à morte de um produtor de morangos de Pelotas, Marcos Nörnberg, confundido com bandido e baleado pela BM numa abordagem apressada.
O que foi revelado sobre o episódio, até agora, parece um jogo dos sete erros. Os policiais militares receberam de colegas do Paraná a dica de que uma propriedade de Pelotas serviria como depósito de armas, drogas e carros roubados para uma facção da região.
Ao invés de fazer levantamento físico do local e observação (campana), foram à noite e de forma apressada ao endereço. Tudo indica que não sabiam quem morava lá (uma pesquisa mostraria um sujeito sem antecedentes, trabalhador).
A dica recebida não era confiável, porque partiu de dois criminosos que podem ter se enganado a respeito da localização do depósito de muamba. Os PMs não dispunham de mandado judicial e resolveram tentar um flagrante no sítio. Que urgência tinha? Não esperaram amanhecer, agiram às 3h da madrugada, com uma baixa visibilidade propícia a confusões. E (segundo testemunha), estavam sem sinais luminosos identificadores das viaturas (giroflex), o que levou Nörnberg a pensar que os PMs eram bandidos.
O produtor tinha uma arma e teria disparado contra o bando que invadia sua propriedade — embora a esposa dele, em entrevista, não dê certeza de que ele disparou. Por último: a Polícia Civil, que poderia fazer uma investigação mais aprofundada sobre o suposto esconderijo da quadrilha, não foi avisada da ação pelos brigadianos.
Em 2025, três outros episódios de pessoas mortas pela BM chamaram a atenção. Eram homens em surto, nenhum deles com arma de fogo. Dois foram mortos a tiros por PMs que tentavam contê-los. O terceiro, esganado num golpe de arte marcial. Não eram bandidos. Parece claro que é hora de rever posturas.
É preciso reforçar também a prevenção aos feminicídios, único delito importante que teve crescimento (10%) em 2025. Nos demais crimes, como homicídios, latrocínios e assaltos, a tendência é de queda. Há anos, num sucesso digno de aplausos ao governo.




