
O alarmante e crescente aumento dos números de violência contra mulheres no Rio Grande do Sul deve ser levado a sério não apenas pelas vítimas em potencial, mas também por outros setores da sociedade. Seriam mais que bem-vindas palestras em escolas, universidades e empresas sobre a triste realidade dos feminicídios. A ideia me foi repassada por um dos mais conceituados professores de artes marciais do Rio Grande do Sul, Cezar Nunes, que inclusive ministra aulas para policiais civis e militares.
- Pensei em algo que poderia ajudar a conscientizar, alertar, reduzir tais índices. Que tal se todas as escolas, quando iniciar (e terminar) o ano letivo, mostrarem o universo das agressões crescentes contra mulheres? Isso pode ser feito via palestras, vídeos, reportagens, números de prisões e condenações - resume Nunes, conhecido como Mestre Cezar
O professor também acredita que seria de bom tom expor, em locais de destaque, números de telefones para denunciar delitos (como o 190, 180, 153). Inclusive dentro das salas de aula. O Rio Grande do Sul vivenciou 1,2 mil feminicídios nos últimos 14 anos.
Acho saudável a ideia do professor. Essas ações também deveriam ser reproduzidas em empresas, universidades, instituições governamentais e privadas, bancos, instituições policiais, no Detran. Cezar Nunes exemplifica: para ter CNH, seria necessário assistir esta palestra. As palestras também poderiam ser incluídas no pacote das exigências de emprego, acrescenta o mestre em artes marciais. Ele acredita que isso traria um grande aumento nas denúncias e levaria à conscientização de milhões de pessoas.
Endosso. E acho que a iniciativa poderia ainda ser incrementada com oferta de cursos básicos de defesa pessoal para mulheres (facultativos, não obrigatórios). Artes marciais, boxe, algo que lhes permita reagir quando encurraladas dentro de casa por um companheiro ou ex-parceiro em fúria. Afinal, nem sempre elas têm tempo de chamar a polícia. E, quando os policiais chegam, muitas vezes é tarde. Tentativas de feminicídios costumam acontecer no lar e isso torna mais difícil a prevenção, o patrulhamento policial. Ficam aí as sugestões. O delegado Juliano Ferreira, atual diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (da Polícia Civil), pretende estimular a adoção dessas ideias. Sobretudo nas escolas.




