
Uma pergunta tomou conta das redes sociais desde a cinematográfica captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas especiais dos EUA: por que a defesa aérea da Venezuela não agiu? Sabemos disso porque mais de 150 aeronaves norte-americanas participaram da operação do último sábado (3) e nenhuma delas foi abatida. Há notícia de apenas um helicóptero ter recebido tiros de metralhadora antiaérea, o que feriu sua tripulação. A gigantesca esquadrilha mobilizada por Donald Trump incluía aviões-radar, de reabastecimento, de guerra eletrônica, caças e bombardeiros, que abriram caminho para os helicópteros com os soldados que capturaram o dirigente venezuelano.
O próprio Trump anunciou que nenhuma aeronave foi derrubada - e isso não foi desmentido sequer pelos venezuelanos. O que é surpreendente, porque a Venezuela tem uma das melhores defesas aéreas da América Latina. A começar por foguetes, grandes ou portáteis. Em outubro, Maduro alardeou que tem 5 mil mísseis antiaéreos russos, Igla-S, concebido para abater aeronaves em baixa altitude. Curiosamente, filmagens feitas com celular na madrugada do sequestro do presidente venezuelano mostram dezenas de helicópteros lançando projéteis no centro de Caracas, sem serem alvejados.
A Venezuela também possui foguetes terra-ar russos Buk, projetados para interceptar aeronaves em grande altitude, mísseis de cruzeiro e bombas inteligentes. Eles funcionam com radares de aquisição, comando e lançadores montados em veículos e foram montados em La Guaira e Igerote, bases próximas a Caracas. Pelo menos uma parte deles foi destruída no ataque norte-americano, como mostram fotos divulgadas por sites especializados. Por último: nenhuma aeronave venezuelana decolou para fazer frente aos jatos dos EUA, entre elas Sukhoi 30 russos e K-8 chineses. O que aconteceu?
Duas são as hipóteses mais coerentes sobre a paralisia do sistema de defesa antiaérea da Venezuela. Uma delas, alardeada pelos próprios EUA, é de que as aeronaves de guerra eletrônica (EA-1 Growlers, E-2 Hawkeye, E-3 Sentry Awacs) interferiram no domínio do espectro eletromagnético e do ciberespaço venezuelano. Abriram caminho para o uso de drones suicidas, que destruíram canhões e blindados venezuelanos, além de matarem mais de 60 militares.
A interferência eletrônica dos EUA atrapalhou radares, sistemas de comando e controle, redes de GPS e provocou pane nas baterias antiaéreas venezuelanas, o que também deixou aeronaves em solo - por falta de comunicações. É que os sistemas de defesa dependem de satélites, comunicações digitais e posicionamento preciso, desconfigurados pelo ataque norte-americano. É a chamada guerra de 5ª Geração. Parte das cidades-alvo ficou também às escuras, por causa de um ataque cibernético norte-americano contra o suporte eletrônico das usinas energéticas. Uma tática que visa menos destruição e mais desligamento de redes.

Tudo isso faz sentido, só que é difícil acreditar que nem um míssil terra-ar portátil (aqueles usados por dois soldados) tenha sido disparado, mesmo que a esmo. Que nenhum helicóptero venezuelano tenha decolado. Que canhões não tenham sido disparados, ainda que às cegas, contra um céu tomado por 150 aeronaves inimigas. É aí que entram teorias de que alguém do próprio regime bolivariano da Venezuela desligou seu aparato de defesa eletrônica. Há dias proliferam na mídia, inclusive entre venezuelanos, teorias de que um alto membro do governo seria o informante da CIA que propiciou a localização exata de Maduro na noite de sua captura. As suspeitas maiores pesam sobre a vice-presidente Delcy Rodríguez, que acabou assumindo o lugar do presidente deposto. Ela também fez pronunciamento conciliatório em relação aos EUA, um dia após o ataque. Só o tempo dirá o que realmente aconteceu.





