
Com zero surpresa, Cachoeirinha, na Região Metropolitana, começou o ano sem prefeito. No primeiro dia útil de 2026, o mandatário municipal, Cristian Wasem (MDB), e seu vice, delegado João Paulo Martins (PP), foram cassados pela Câmara de Vereadores.
Segundo o relatório que baseou o processo, Wasem e Martins eram suspeitos de realizarem contratações sem licitação permeadas pela indicação de afiliados políticos para serviços terceirizados e adiarem a contribuição patrona para o Instituto de Previdência dos Servidores (Iprec). Além disso, eles sofreram desgaste político por terem cortado cargos em comissão indicados por políticos.
Dos 17 vereadores, 14 votaram pelo impeachment do prefeito e 13 pela saída do vice. A cassação exigia pelo menos 12 votos favoráveis. Não foi um julgamento criminal, mas político, já que as questões que determinaram o afastamento dos dois não estão criminalizadas. Ainda.
Foi determinado também que o prefeito e o vice-prefeito afastados perdem os direitos políticos por oito anos. Na despedida, Wasem declarou: "Eu voltarei". E para a mulher, Fabi Medeiros, ele acrescentou: "Eu estarei cassado, tu não".
A mensagem é clara: Cachoeirinha terá nova eleição em 180 dias. Impedido de concorrer, Wasem deve indicar sua mulher para sucedê-lo. Enquanto não vem o novo pleito, a prefeitura ficará em mãos da vereadora Jussara Caçapava (Avante), de oposição. Que inclusive já foi empossada na madrugada deste sábado (3).
Jussara promete assumir às 7h da manhã de segunda-feira (5) e disse que sua prioridade é tratar bem o funcionalismo público. Uma indireta para o fato de o prefeito agora cassado ter atrasado as contribuições para a previdência dos servidores aposentados do município.
O curioso nisso tudo é que Cristian Wasem também assumiu numa crise política de um mandato que não terminou em Cachoeirinha. Ele presidia a Câmara Municipal e foi empossado como prefeito quando, em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou o então prefeito Miki Breier (PSB) e o vice Maurício Medeiros (MDB), por abuso do poder político e econômico durante o período eleitoral.
Wasem ganhou a eleição suplementar ainda em 2022 e se reelegeu em 2024, com 71% dos votos. Agora, por desagradar vereadores e funcionários, perdeu a base parlamentar e foi apeado do cargo.
Em resumo: Cachoeirinha terá três prefeitos em três anos (dois deles, cassados e uma interina). Um padrão que lembra a troca incessante de presidentes na Bolívia, o país politicamente mais instável da América Latina.





