
Do ponto de vista tático, a captura do presidente da Venezuela por tropas especiais norte-americanas foi um passeio no parque. Uma ação cibernética cortou a energia em Caracas e abriu caminho para que os militares dos EUA retirassem a força Nicolás Maduro de seu quarto num bunker, sem reação bélica dos seus comandados.
O Pentágono vazou para a mídia que a ação foi antecedida do envio de uma equipe da CIA para Caracas, em agosto. Além de mapear alvos, os agentes recrutaram informantes próximos a Maduro, para monitorar seus passos. Tudo acompanhado à distância por uma frota de navios e esquadrilhas de aeronaves, que na hora certa inviabilizaram as defesas venezuelanas. O que mostra como Donald Trump estava decidido a mostrar que não blefava.
A questão é que o sequestro de um presidente de outro país, mesmo que seja um governante autoritário, é uma ruptura e tanto no cenário diplomático que costuma caracterizar a geopolítica mundial. E nos faz pensar no Efeito Borboleta, descrito num filme que fez sucesso duas décadas atrás.O pano de fundo da obra é uma teoria que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode, hipoteticamente, causar um furacão no Texas. Ou seja, uma pequena mudança nas condições iniciais de um sistema complexo pode levar a consequências imensas e imprevisíveis no futuro.
Fosse eu morador da Ucrânia (na Europa) ou de Taiwan (na Ásia) estaria muito preocupado. No dominó da nova ordem mundial, o ataque norte-americano na Venezuela pode autorizar russos a pavimentarem sem piedade sua expansão pelo território ucraniano, incluindo derrubada de governo. E os comunistas chineses a tomarem a Ilha Formosa, nome pelo qual os antigos navegadores portugueses chamavam Taiwan (que o governo da China continental considera propriedade sua, uma província rebelde).
A remoção forçada de Maduro do governo mostra que “soberania nacional” é um bem relativo. Na contramão do que prega a Organização das Nações Unidas (ONU) desde a II Grande Guerra, soberano nos tempos atuais é quem tem poder militar de fato. Um desafio e tanto para a diplomacia mundial.




