
Dois Messias estão na raiz dos últimos problemas de Luiz Inácio Lula da Silva. Um deles, Jorge Messias, foi indicado pelo presidente para ocupar vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação, ainda não votada, desagradou a cúpula do Senado, que tem preferência por um nome ligado ao Centrão (aquele bloco do "se há governo sou a favor", antítese dos lemas anarquistas). Os congressistas retrucaram e permitiram que ressurgisse no cenário, feito fênix, o outro Messias, Jair Messias Bolsonaro.
Os congressistas passaram a torpedear projetos do Executivo. Trocando em miúdos: Bolsonaro terá a pena encurtada, entre outros motivos, porque o Centrão que domina o Congresso deixou clara sua irritação com a escolha do homônimo dele (o Jorge Messias) por Lula para ocupar vaga no STF. A oposição de direita aprovou na Câmara dos Deputados, com larga margem, o projeto que reduz as penas de condenados por atos golpistas.
Tudo indica que o Senado vai sacramentar a decisão e diminuir bastante o período atrás das grades reservado a Jair Bolsonaro (PL), sentenciado como líder do golpe. Um sapo e tanto para a esquerda digerir.
A insistência de Lula em indicar para o STF um nome de sua total confiança, desta vez sem ceder aos meandros da política, desfez a aliança tácita de governabilidade que ele vinha mantendo com senadores desde o início do governo. A balança do Senado se inclinou para o lado bolsonarista e tão cedo parece que não vai oscilar para a esquerda, podendo ocorrer novos boicotes a iniciativas governamentais. O presidente da República até pode vetar a redução das penas dos condenados por golpe, mas os números da recente votação indicam que o veto dele, se ocorrer, será cassado.
Em resumo, ao tentar emplacar um Messias, Jorge, o presidente Lula viu reaparecer outro, o adversário histórico Jair Messias Bolsonaro, que parecia emparedado numa cela. Mesmo preso, esse mostrou que ainda conta com votos fiéis. E tudo indica que o STF vai manter o que foi decidido pelo Legislativo, no embalo dos apelos por uma suposta pacificação nacional. Afinal, é inerente ao Congresso fazer leis. E o fato é que os congressistas acabam de dar uma mãozinha amiga à direita.



