
Vão longe os tempos em que sequestros sacudiam o cotidiano do noticiário criminal. Ainda bem. Até por isso, virou capa dos sites a libertação do empresário e vice-prefeito de Não-Me-Toque Gilson Trennepohl, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (22). Ele foi sequestrado no sábado e o crime, mantido em sigilo enquanto prosseguiam as investigações da Polícia Civil.
Trennepohl foi localizado graças à articulação entre policiais civis e militares, que mapearam possíveis locais de cativeiro. Uma equipe da Brigada Militar realizou um cerco entre Marau e Vila Maria, no Norte do RS, até que conseguiu encontrar um dos veículos utilizados no sequestro e prender um suspeito. O empresário estava numa mata. Assustado, mas intacto.
Por razões compreensíveis, a Polícia Civil não quer dar detalhes da investigação. O crime teria sido cometido por três pessoas, uma das quais está presa e a outra, cercada no mato em Marau. A terceira seria o articulador. Pelo menos um deles conhecia de vista o empresário.
O fato a ser comemorado é que sequestros caíram em desuso no Rio Grande do Sul. Em conversa com policiais, fui informado que a média é de cinco casos concretizados por ano. Isso é nada em estatística, se comparado, por exemplo, com outro tipo de crime violento, o assalto a pedestre: foram 854 só em novembro (e isso que está em queda, em 2025 no mesmo mês foram 1.106).
O sequestro não deixa de ser um roubo sofisticado. Ao invés de levar apenas um bem mediante ameaça com arma, o criminoso leva a pessoa. O passo seguinte é a extorsão de familiares. Não se sabe ainda se os parentes de Gilson Trennepohl receberam pedido de resgate, mas é provável.
O que é bem mais comum é o falso sequestro. Isso mesmo, a pessoa some e pede a conhecidos que finjam que ela está sequestrada. Em muitos casos, para extorquir familiares. É corriqueiro entre usuários de drogas oriundos de famílias abastadas. A média, nesse caso, é de quatro por mês. Ainda assim, quase invisível no mar de estatísticas da criminalidade.
Seja sequestro ou falso sequestro, outro motivo para celebração é que há anos a maioria absoluta desses casos é solucionada pelas polícias. As técnicas utilizadas são variadas e não vamos detalhá-las, para não prejudicar as investigações. Mais uma vez, no caso de Não-Me-Toque, as polícias Civil e Militar estão de parabéns.




