
Talvez nem a Velhinha de Taubaté, se viva fosse, duvidasse que Jair Bolsonaro (PL) terá negados todos os recursos contra a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No ritmo atual, a probabilidade é que a sentença de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado seja confirmada até a última semana de novembro. Mesmo com manobras da defesa, como novos embargos declaratórios (já negados uma vez) e até embargos infringentes - que precisariam de dois votos favoráveis, algo quase impossível numa turma que manteve votos unânimes pela condenação do ex-presidente.
Enquanto aguarda prazo dos recursos, o relator do inquérito do golpe de Estado no STF, ministro Alexandre de Moraes, estuda onde Bolsonaro cumprirá sua pena. O ex-presidente hoje está em prisão domiciliar, situação até certo ponto confortável, diante das outras opções. Os seus advogados querem que permaneça assim, alegando que se trata de um homem doente, quadro agravado pela facada que levou em 2018. Mas a sentença estabelece que ele deve cumprir pena em regime fechado.
Nesse caso, existem várias alternativas e elas compõem um xadrez político. A primeira delas é mandar Bolsonaro para a Penitenciária da Papuda, o maior temor dele e dos seus seguidores, pelo simbolismo de ver o sol detrás das grades. Não ficaria nas celas com 36 presos (como é o normal) e sim, numa ala reservada, direito de ex-presidente. Pode ser num pavilhão para ex-policiais condenados, chamado Papudinha. Mesmo assim, seus advogados querem evitar o que consideram um vexame irreparável.
As outras alternativas são cela na Polícia Federal ou num quartel das Forças Armadas. No primeiro caso, seria no Máscara Negra, sede da PF em Brasília, onde já está preparada uma dependência com TV e banheiro privativo. Destino igual ao do rival maior de Bolsonaro, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpriu mais de 500 dias de pena num local similar.
Mas os defensores de Bolsonaro preferem, caso ele não fique em casa, que seja enviado a uma ala do Exército, assim como alguns militares condenados por golpe de Estado. Seria no Forte-Apache, QG da corporação no Distrito Federal.
Apesar do jeito de quem não leva em conta pressões, desta vez Moraes tem uma batata-quente nas mãos. Pelo perfil das decisões anteriores, acredito que vai destinar Bolsonaro para a Papuda. Nem que por um breve período. Os dados estão lançados.






