
O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc, da Polícia Civil gaúcha) assestou na manhã desta quinta-feira (27) um golpe profundo na estrutura do submundo da Região Metropolitana. Foram presos criminosos considerados responsáveis por um esquema até pouco tempo atrás inimaginável: a aliança de facções inimigas para comprar drogas no Paraguai.
Entre os alvos, em três Estados, estão traficantes, assaltantes e lavadores de dinheiro. Sim, os assaltos também são usados para financiar compra de cocaína e maconha. Foram presas 43 pessoas até o momento e apreendidos fuzis, pistolas e drogas.
A desconfiança de que sangrentos adversários teriam se unido para montar um consórcio de drogas surgiu mediante rastreamento de mensagens. A investigação aponta que os criminosos das duas principais facções gaúchas montaram um esquema para trazer do Paraguai caminhões carregados de drogas. Os veículos chegam na Grande Porto Alegre, são levados a sítios e os bandidos racham a mercadoria, sem conflito.
Um dos responsáveis pela logística, de uma transportadora, foi preso. Detalhe: todas as lideranças estavam presas, mas continuavam a gerenciar o tráfico. Confira aqui os nomes dos principais atingidos na operação:
Marizan de Freitas - traficante dos Manos, maior organização criminosa do Rio Grande do Sul, originária do Vale do Sinos. Ficou famoso após ser liberado pela Justiça para fazer uma cirurgia e aproveitar a estadia em casa, numa mansão no Litoral, para fugir. Foi recapturado em São Paulo. Quando fugiu ele cumpria pena de 38 anos de reclusão.
Lucas Muniz Sartori- indiciado como traficante e idealizador de falsas rifas. É co-proprietário de uma pequena empresa de transporte de Canoas, apontada pela Polícia Civil como responsável por trazer caminhões com cargas de drogas desde o Paraguai até a Região Metropolitana de Porto Alegre.
Rafael Bianchi Batista - de Cachoeirinha, é apontado como principal matador dos Bala na Cara. Foi cinco vezes indiciado por homicídio, três por assaltos, seis por tráfico e três por vínculo com organização criminosa armada.
Sérgio Rudinei Bauermann, o Danota - assaltante de carros-fortes, ligado à quadrilha do José Carlos dos Santos (o Seco), que jogava caminhões contra os blindados. Hoje atua na lavagem de dinheiro. É, segundo investigações, ligado aos Bala na Cara.




