
O secretário estadual da Segurança Pública, Sandro Caron, pegou muitos subordinados de surpresa ao confirmar nesta quinta-feira (9) que vai deixar o cargo.
Os mais próximos, claro, já sabiam. Mas o motivo da saída, ressalta ele, é bom.
— O cavalo passou encilhado, para usar uma expressão muito comum aqui no Rio Grande do Sul — explica.
Caron se refere a um convite "irrecusável" que recebeu para atuar na iniciativa privada.
Aos 50 anos e faltando pouco para se aposentar, ele pediu licença não remunerada da Polícia Federal, onde fez carreira como delegado, e dispensa da função de secretário do Estado, que ocupava há quase três anos. Sai no auge, com reduções sucessivas nas estatísticas de crimes.
Aqui, resumo da entrevista exclusiva a Zero Hora:
O que o levou a sair?
Eu tinha já como foco que, o dia em que saísse daqui, queria tentar fazer essa transição para a iniciativa privada. E, numa expressão que a gente usa muito aqui, o cavalo passou encilhado. E a gente teve que aproveitar o convite recebido na iniciativa privada lá em São Paulo, uma empresa que está se estruturando exatamente agora e precisava de alguém da área de segurança. No caso, chegaram a mim, se iniciaram as tratativas, as conversações. E, claro, desde o início eu fui mantendo o governador informado, porque a gente tem uma relação de muita parceria e lealdade.
Como será a transição?
Nós fomos pensando em como fazer uma eventual transição e acabou que eu aceitei o convite. Aí eu comuniquei ao governador, e a gente começou com muita calma a pensar nessa transição. Porque a gente sabe que trocar um secretário da Segurança não é uma coisa que se possa fazer muito rápido. Para ter solução de continuidade. Isso é o mais importante.
Por enquanto permanece o coronel Mário Ikeda como secretário?
Por enquanto está o Ikeda (atual secretário adjunto), é isso. Fica na interinidade. Agora o governador vai avaliar, e já deve estar avaliando aí quem vem para o meu lugar.

O senhor sai satisfeito?
Eu estou muito satisfeito, porque coloquei exatamente como o último desafio da minha carreira ser secretário aqui no meu Estado. Então, a gente poder contribuir, ter essas quedas históricas no número de crimes, poder também sair no auge e entregar alguma melhora para o Estado nos deixa muito feliz.
Eu também já vinha há horas avaliando que o momento era de buscar essa transição. Eu tenho 50 anos e não tenho ainda a condição de me aposentar na Polícia Federal, mas o diretor-geral me concedeu licença para interesses particulares. É uma licença sem vencimento, eu fico autorizado a trabalhar na iniciativa privada. A PF avaliou, e a licença foi publicada no dia de hoje. É um novo desafio, uma nova fase da minha carreira, após 27 anos no serviço público. E eu já tinha há muito tempo decidido que, quando saísse da secretaria, iria tentar me testar na área privada. Poderei me aposentar da PF aos 53 anos.
A empresa em que o senhor vai trabalhar é uma multinacional?
É uma empresa que está se estabelecendo em São Paulo. Por questões de sigilo, eu ainda não posso mencionar qual, mas é uma empresa que vai ser feita aqui no Brasil, que vem exatamente tentar desenvolver algo impactante na área de segurança pública para o Brasil. Inclusive, nós temos pessoas de fora, brasileiros que estavam fora do país e estão voltando para trabalhar. Eu também aceitei, porque eu imagino que vou poder seguir contribuindo para a segurança pública, agora em outro local.
Quero também deixar claro que a gente já vinha há cinco anos como secretário. Eu emendei o Ceará (onde foi secretário da Segurança) com aqui, então a gente acha que já conseguiu dar contribuição. Que era o momento de ir para este segundo tempo da minha carreira. E realmente eu já tinha decidido que, quando eu saísse aqui da secretaria, eu não queria mais trabalhar no público, eu ia tentar algo no privado.
Como o senhor avalia os números da segurança?

A gente fica muito feliz de poder terminar a missão divulgando os indicadores de setembro. A gente teve o mês mais seguro da história novamente. Já tínhamos batido esse recorde em agosto, como o mês mais seguro, e agora, em setembro, a gente teve novamente. Queda histórica.
Em relação a homicídios e roubos de veículo, setembro deste ano, quando eu comparo com setembro do ano passado, a gente teve uma redução de 50%. Quero destacar que o Rio Grande do Sul tem um programa muito bem estruturado, que é o programa RS Seguro, e tenho certeza continuará colhendo bons indicadores. Ele nem é mais um programa de governo, ele é de Estado. E quero agradecer a todo o apoio do governador Eduardo Leite, com os investimentos.
A saída é para já ou o senhor vai ficar um tempo ainda em Porto Alegre?
A ideia é que agora, nos próximos dias, haja esta definição e esta troca definitiva no cargo. Porque a gente sabe que a segurança pública é uma área que não pode ficar muito tempo com essa indefinição. E o governador vai tomar rapidamente a decisão de quem assume a secretaria no meu lugar.





