
A ingestão de bebida alcoólica adulterada com metanol já matou nove brasileiros nos últimos dias e deixou doentes outros 47. Essa é apenas a faceta mais cruel de um fenômeno que causa bilhões de reais em prejuízo e afeta dramaticamente a saúde dos brasileiros: a indústria da falsificação. O tema foi abordado nesta quarta-feira (22) no Tá na Mesa, encontro semanal promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul).
Para ficar no campo das bebidas: estimativa do setor é que 28% dos destilados consumidos no Brasil tenham algum tipo de problema de fiscalização. Ou foram contrabandeados (a maioria dos casos), ou sonegaram impostos ou, ainda, falsificados - uma pequena parte, talvez 4%, calculam as entidades do setor, dizendo ainda que a maioria das falsificações envolve qualidade do produto e não misturas mortíferas. Em relação ao Rio Grande do Sul, a boa notícia é que nenhum caso de contaminação por metanol foi registrado aqui até agora (o único gaúcho contaminado ingeriu a bebida em São Paulo). Mas o setor da venda de destilados sentiu o impacto na imagem.
- Sobretudo nos bares e restaurantes frequentados por pessoal de maior poder aquisitivo, a fuga de clientes tem sido grande. Culpa do crime organizado - admite o presidente da seção gaúcha da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Leonardo Vogel Dornelles.
O presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região, Paulo Geremia, ressalta que a entidade tem promovido encontros com a fiscalização sanitária e cursos mensais de segurança de alimentos para que os gerentes identifiquem bebidas falsificadas, entre outros problemas.
No mês passado as más notícias atingiram em cheio um outro segmento muito afetado, o da gasolina. Operações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo revelaram um gigantesco esquema de fraude no setor, com posterior lavagem de dinheiro no mercado de capitais. João Carlos Dal'Aqua, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), estima que os combustíveis no Brasil enfrentam um prejuízo anual de R$ 14 bilhões perdidos para sonegadores, fraudadores e contrabandistas de combustíveis. Já a arrecadação legalizada é de R$ 215 bilhões anuais. É um rombo bilionário, mas o percentual ainda é pequeno se comparado com outras áreas da economia brasileira.
O problema, como define o presidente da Federasul, Rodrigo Souza Costa, é o prejuízo invisível representado por essa sangria econômica. Custa empregos e, pior ainda, saúde aos brasileiros.
Dos palestrantes desta edição do Tá na Mesa, o setor mais atingido pelas fraudes é a indústria do cigarro. Fabiano Machado, gerente de Relações Institucionais da B.A.T. Brasil (British American Tobacco), diz que o crime organizado responde por 32% das vendas de tabaco industrializado no Brasil (entre contrabando, sonegação e falsificação). No Rio Grande do Sul o percentual de ilegalidade é de 20%, mas já foi bem maior. E em alguns Estados do Nordeste, chega a 70%.
- Felizmente as receitas Federal e Estadual estão muito atentas aqui, bem como as polícias - elogia Machado.




