
Paula Lopes, que atuava como secretária da causa animal na prefeitura de Canoas, parece não ter entendido o significado de um bichinho de estimação (o pet) no mundo moderno. Na dinâmica das grandes cidades, viraram como filhos a preencher a solidão de casais, de solteiros, de idosos que perderam companheiro...de todo tipo de gente, enfim. Pois a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que essa mulher, que se apresenta como benfeitora dos bichos, assassinou 239 cães e gatos em oito meses.
Seriam, por semana, de 15 a 30 animais mortos com injeções que levavam à eutanásia, calcula a delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, que investiga o caso. A ex-secretária municipal se apresenta como ativista da causa animal há mais de 20 anos e atuou bastante no resgate de bichos durante a enchente de 2024.
E com que objetivo ela teria matado os animais? Conforme a polícia, ela usaria a chave Pix da instituição para receber valores de campanhas em que prometia resgatar e cuidar de animais, mas há indícios de nem todos os recursos eram canalizados pela ex-secretária para os pets. Foram encontrados cerca de R$ 100 mil em espécie na casa dela. Os policiais encontraram também nas buscas documentos em branco que autorizavam eutanásia.
Quais os indícios de crime? Além de 14 animais mortos encontrados num freezer na secretaria, os policiais localizaram na sede da secretaria (onde ela trabalhou até dias atrás) um contêiner com gatos presos em gaiolas, famintos, no escuro e sem caixa de areia para fazer necessidades, como mostra reportagem dos colegas Guilherme Milman e Ronaldo Bernardi.
O alerta contra os maus-tratos partiu de servidores e ex-servidores da própria secretaria.
Paula diz que as denúncias são infundadas e sempre ajudou os animais. É início de investigação e ela tem direito a se defender, óbvio. Mas ficam algumas perguntas:
- Por que os animais morreram?
- Por que eram guardados em freezers?
- Por que gatos eram mantidos em gaiolas e sem local para necessidades, se o objetivo é vida digna aos animais?
- Os R$ 100 mil em dinheiro vivo encontrados na residência de Paula Lopes são provenientes de salário ou do Pix recebido para ajudar os animais?
- O Ministério Público já tinha feito questionamentos sobre a lisura da atividade de Paula, anteriormente. A prefeitura não sabia disso? Quem a indicou para o cargo de secretária da causa animal, se haviam suspeitas de maus-tratos contra os bichos? Nas redes sociais Paula diz que foi indicada pelo deputado federal Luciano Zucco (PL). Ele admite que a conhece, mas afirma que a indicação foi de protetores de animais.
Todas as questões podem e devem ser esclarecidas no inquérito criminal. Os indicativos são de que podemos estar diante do assassinato serial de animais.

