
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A "conta" do trigo gaúcho que está plantado, neste momento, no Estado, encolheu mais uma vez. No 12º levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (15), a estimativa foi revisada quase dois pontos percentuais para baixo tanto em área quanto em produção. Agora, a autarquia projeta 774 mil hectares cultivados com o cereal, redução de 33,1% em relação à safra anterior, e uma produção de 2,3 milhões de toneladas, queda de 36,8%.
Com a nova projeção, a Conab passa a trabalhar com uma área de trigo menor do que a estimada pela Emater/RS, que prevê 814,2 mil hectares para a cultura no Estado.
Na avaliação do assistente técnico em culturas da Emater/RS, Alencar Rugeri, a área não deve sofrer grandes alterações daqui para frente. Coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim também entende que a nova estimativa de área da Conab está mais próxima da realidade observada pelo setor.
— Pelas dificuldades de crédito, descapitalização do produtor, preços baixos na época e custos de produção. Nós trabalhávamos desde sempre com uma área nessa faixa — reforçou Jardim à coluna.
Agora, o clima passa a ser a principal variável no resultado final. De acordo com o último informativo conjuntural da Emater/RS, 72% da área plantada com trigo está na fase considerada decisiva para a produtividade — de floração e enchimento de grãos. Por isso, para Rugeri, é a qualidade do cereal, que define a rentabilidade do produtor, que merece atenção agora.
— Houve redução nos investimentos, em um contexto de menor acesso a financiamento e de uma percepção inicial de que o fenômeno El Niño poderia trazer dificuldades climáticas — explica o assistente técnico da Emater/RS.





