
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O desfile dos campeões da 49ª Expointer nesta sexta-feira (4) não ficou restrito aos animais que passaram pela pista e receberam as tradicionais rosetas. Nem aos produtores à frente das agroindústrias familiares vencedoras do tradicional concurso da feira. Como já era esperado, o endividamento rural e as eleições também ganharam espaço no evento.
Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes voltou a cobrar uma solução para o endividamento dos produtores, uma das principais reivindicações do setor desde as sucessivas estiagens e enchentes que atingiram o Estado.
— Somos, hoje, o Estado com o maior número de dívidas junto ao sistema financeiro e privado — lembrou o dirigente.
O presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, também criticou o governo federal:
— Estamos vendo lá em cima escândalo sobre escândalo (....) Existe muito dinheiro que, me desculpem a expressão, vai para vagabundo. E o produtor não consegue o mínimo.
Lopes, da Farsul, também criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin na feira:
— Nada é mais importante, hoje, do que estar na Expointer.
Em resposta à fala da Farsul e da Febrac, a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, respondeu destacando programas federais voltados à agricultura familiar e afirmou que o Rio Grande do Sul recebeu 23% dos financiamentos do Plano Safra da Agricultura Familiar. E citou a retomada de estoques públicos, compras governamentais e investimentos em assistência técnica.
A cobrança também apareceu nas falas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e do Sistema Ocergs.
— Queremos o compromisso de continuar avançando e construindo uma solução efetiva para o endividamento. Queremos devolver capacidade de investimento, produção e principalmente esperanças das famílias do campo — falou Eugênio Zanetti, à frente da Fetag-RS
Já Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs, frisou que o agronegócio está em um "momento de grande oportunidade", com relação à perspectivas de preços:
— O produtor precisa resolver o seu passado para que possa fazer financiamentos e aproveitar este momento.
A Fetag-RS também aproveitou o palanque para apresentar sua própria agenda para quem pretende governar o Estado. Entre os desafios apontados estão a sucessão rural, a regularização dos imóveis, o fortalecimento do seguro rural e do Proagro e a adaptação da produção às mudanças climáticas.



