
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Mesmo com "Ferraris" expostas na vitrine da 49ª Expointer, a aposta de muitas fabricantes neste ano está nos tratores compactos, voltados a pequenos e médios produtores. Estratégia tomada em meio a um mercado que ainda sente efeitos dos juros altos e do crédito mais restrito.
De janeiro a julho, a indústria brasileira de máquinas agrícolas registrou queda no faturamento de 22,4%, fechando em R$ 31,5 bilhões. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), nesta terça-feira (1º). Para o ano, a entidade agora "espera" que a receita mantenha uma queda de 20%, com perspectiva de melhora a partir de agosto.
Para Carolina Rossato, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), a procura por tratores menores também está relacionada a linhas com juros mais baixos, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf):
— Juro alto é sempre fator recessivo no investimento. O agro precisa crescer e, para isso, precisamos de financiamento.
Presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão acrescenta:
— Temos que entender que a agricultura familiar de pequeno porte não está com problemas como a agricultura empresarial.
Presidente executivo da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso, no entanto, entende diferente:
— Não existe uma estratégia de máquinas pequenas. O que acontece é que o mercado está muito ruim, e as empresas estão economizando para ir às feiras. Aliás, aumentou muito a quantidade de estandes de máquinas chinesas, a maioria mostrando tecnologia para agricultura familiar.
A fabricante Massey Ferguson levou à Expointer o novo MF 2700, com modelos de 35 a 60 cavalos, direcionados justamente a esse público. A linha é indicada para atividades como horticultura, fruticultura, grãos e pecuária. Na avaliação de James Sales, gerente de vendas da Massey Ferguson, "o produtor segue bastante criterioso na tomada de decisão":
— Avaliando com atenção fluxo de caixa, rentabilidade e condições de investimento.
A John Deere também reforçou, nesta edição, essa faixa de mercado. Entre os destaques estão o 3041E, de 41 cavalos, e o 3036EN, de 36 cavalos, modelos pensados para propriedades e atividades que exigem máquinas menores e mais ágeis. Ainda assim, a marca mantém no estande equipamentos de grande porte, como a colheitadeira S7 600 e tratores da linha 8R.
De acordo com a gerente de Marketing Tático da John Deere para a América Latina, Estela Dias, foi intencional:
— A John Deere trouxe para a Expointer um portfólio que busca refletir a diversidade do agronegócio do Rio Grande do Sul.

