
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A irrigação ainda não conseguiu acompanhar o tamanho da soja no Rio Grande do Sul, que é o principal produto do agronegócio gaúcho. Embora a cultura ocupe 6,6 milhões de hectares, apenas uma pequena parcela dessas lavouras recebe água de forma planejada.
De uma safra para outra, o avanço foi tímido: a área irrigada passou de 242 mil hectares em 2024/25 para 254 mil hectares em 2025/26. Os dados são da Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2026, divulgada na 49ª Expointer, pela Secretaria Estadual da Agricultura.
Na prática, são 12 mil hectares a mais — um crescimento de 3,6%. A participação da irrigação sobre a área total da soja passou de 3,6% para apenas 3,8%.
O Estado, vale lembrar, já tem uma política específica para estimular a expansão da irrigação, ampliou recursos e está na terceira fase do Irriga+RS. O programa já aprovou 1,9 mil projetos nos últimos três anos. Foram R$ 661,5 milhões em investimentos privados, com R$ 84,4 milhões em subvenções estaduais.
Para o subsecretário de Irrigação do Estado, Davi Teixeira, os resultados mostram que a política pública tem capacidade de induzir investimentos. Ainda assim, ponderou:
— A política mostrou que deu certo, mas precisa ser potencializada.
Na avaliação de Teixeira, um dos motivos para esse avanço tímido no último ciclo produtivo tem a ver com os juros altos e o endividamento do produtor:
— Um sistema de irrigação nada mais é do que uma máquina agrícola. E os investimentos estão com o pé no freio.
Há ainda uma questão de percepção de risco. Em anos de chuvas mais regulares, o produtor pode postergar a decisão de instalar um sistema, acrescentou o subsecretário.
E a soja é uma cultura que suporta melhor o déficit hídrico do que o milho, por exemplo, continua Teixeira. Motivo pelo qual a cultura do cereal tem uma área maior irrigada no Estado: 18% ou 144,8 mil hectares.
Fique sabendo
A terceira fase do Irriga+RS está aberta até 30 de outubro de 2026. O programa oferece 20% de subvenção, limitada a R$ 150 mil por produtor, para projetos de irrigação e reservação de água.



